Tratamentos alternativos são opções para abandonar o cigarro

Hipnose. Adesivo e chicletes de nicotina. Spray nasal e até medicamentos antidepressivos. A medicina desenvolveu uma série de recursos para o fumante abandonar o cigarro.
E a razão para deixar o vício é simples.  Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 3 milhões de fumantes morrem, por ano, de doenças relacionadas ao tabaco.

Certas técnicas ajudam as pessoas a deixarem o cigarro. Essas técnicas podem ser de processo rápido, quando o dependente decide largar abruptamente o vício ou de processo mais lento, quando acontece aos poucos. Para isso cada caso é um caso, já que existem os fumantes ‘leves’, que fumam com menos frequência e em menos quantidade, e os ‘pesados’, que chegam a fumar mais de três maços de cigarro por dia.

Um dos métodos de tratamento é o adesivo de nicotina, que deve ser colado ao corpo e utilizado diariamente de um a dois meses para notar os primeiros sinais do efeito.

Há também o chiclete de nicotina, que deve ser mascado diariamente. Mas pode ser necessário o uso de 10 a 15 gomas ao dia se for um caso de um fumante inveterado. Já o spray nasal de nicotina é considerado um método mais rápido na tentativa de parar de fumar, mas carrega efeitos colaterais mais agressivos, como a irritação e ardência nos olhos, por isso não é muito recomendado.

Existem também medicamentos mais fortes que são caracterizados como antidepressivos. Mas, neste caso, esse tipo de tratamento deve ser realizado somente com prescrição médica, devido à quantia de substâncias agressivas de sua fórmula.

A hipnoterapia também é um tratamento que auxilia no combate ao vício.  Ela busca na memória os primeiros registros de quando a pessoa iniciou o uso do cigarro. Após os registros serem localizados, é feito o bloqueio mental para a mente nunca mais conseguir associar aos momentos iniciais que deram origem ao hábito de fumar.

Segundo o hipnólogo e diretor do Instituto Brasileiro de Hipnologia, Luiz Crozera, esse método deve ser utilizado somente por quem tem o exclusivo intuito de querer parar de fumar. Não possui contra-indicações. Só não pode ser usado em pessoas sem audição ou insanidade de consciência.

“Já a eficácia no tratamento pela hipnose condicionativa é de 100% quando a pessoa quer efetivamente parar de fumar”, disse o especialista. Em média são feitas de três a cinco sessões, com a duração de uma hora e trinta minutos cada.

O psiquiatra Ronaldo Laranjeira reforça porém que qualquer tratamento que a pessoa queira fazer deve ter um acompanhamento médico ou psicológico, até para que haja uma avaliação e monitoramento do caso. Segundo o médico, em entrevista por e-mail, após a pessoa decidir parar de fumar ela sofrerá com sensações que afetarão sua mente e isso a deixará em estado que ele chama de “delicado”, quando a pessoa passa a ficar mais estressada.

Desses recursos para abandonar ou minimizar o vício, a assistente social Solange Ferreira, 34, optou por usar adesivo. Fumante desde os 14 anos,  fumava dois maços por dia e, após quatro meses de tratamento, passou a fumar menos: um maço e meio por dia. “Senti-me realizada, porque isso já representava muito para mim”.

Ainda durante o tratamento, Solange contou que se sentia importante quando acendia um cigarro perto dos amigos ou nas baladas. Mas afirmou não ver mais graça na fumaça e por isso resolveu deixar o vício.

A assistente social está há dois anos sem fumar. Segundo ela, o principal incentivo para parar foi a gravidez de sua irmã mais nova. “Tive muito medo pelo bebê, me sentia constrangida em ficar fumando perto dela, aquilo me deixava péssima, eu ficava muito nervosa.”

Solange utilizou o adesivo, todos os dias, durante um ano. No começo foi difícil conter a ansiedade porque ainda fumava muito. Mas, com cerca de seis semanas, conseguiu sentir um alívio e já não pensava tanto no cigarro.

Já para a operadora de caixa Silvana Aparecida, 46, o tratamento mais eficaz foi com remédios antidepressivos. Mas ela contou que esse método foi definido depois de muita conversa com o médico que cuidava do caso dela e ainda disse que a influência positiva de sua família ajudou em 90% no tratamento. “Eu percebi que fumar atrapalhava não só a minha vida, mas a dos meus filhos também, porque eles diziam que se sentiam  sujos om o cheiro do cigarro”.

Sobre esses tratamentos, Luiz Crozera disse que não observou aumento na busca dessas alternativas. Ele afirmou que a lei antifumo talvez tenha causado uma reação contrária nas pessoas. “Para o viciado, sempre que ver uma placa de ‘proibido fumar’, irá despertar e reforçar no nível inconsciente de sua memória o desejo de fumar”.

O médico ainda disse que o uso de imagens com pessoas doentes em razão de fumar, no verso dos maços de cigarro, não inibe a venda desse produto e nem desestimula a vontade de fumar Para ele, melhor seria colocar uma tarja preta nos maços dizendo ‘Fumar Mata!’, como ocorre na Europa.

O especialista indicou a prática de atividades físicas para combater o fumo. Para Crozera, os esportes são um importante caminho para quem quer se libertar desse vício.

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia da Faculdade de Comunicação da Universidade Metodista de São Paulo