Doenças de verão crescem cerca de 30% nas unidades de urgência de Santo André

*Da redação

Até parece que o deserto do Saara é aqui. A sensação térmica, inclusive, tem batido recordes em várias capitais do País, como São Paulo e Rio de Janeiro, que superam os índices dos últimos 50 anos, segundo os Institutos de Meteorologia. O que não tem sido diferente em Santo André, cidade do Grande ABC. Em época de calor intenso e baixa umidade do ar pela ausência de chuva, todo cuidado é pouco para evitar as doenças típicas de verão. A rede municipal de atenção às urgências e emergências registrou, de janeiro até esta quarta-feira (5), aumento de cerca de 30% de queixas e diagnósticos relacionados ao clima quente. Ente elas, desidratação, diarreia, vômito, doenças de pele (como dermatite) e hipotensão arterial, popularmente conhecida como pressão baixa.

 A orientação dos especialistas na área da Saúde é aumentar o consumo, especialmente de água, usar roupas leves e evitar exposição ao sol no período entre 10h e 16h. O uso do protetor solar também consta na lista de bons costumes. A alimentação saudável, rica em carboidrato e livre de gordura animal, faz parte da recomendação, além da sua correta conservação em tempos com os termômetros nas alturas nesse início de 2014.

A emergencista Renata Fassolini Soares, coordenadora médica do Departamento de Atenção à Rede de Urgência e Emergência de Santo André, apontou ainda que, com a falta de chuva, cresceram também as queixas como conjuntivite, garganta seca e tosse. E não param por aí o rol de doenças típicas do verão. Em apenas um dia no Pronto Atendimento Central, das 222 fichas de atendimentos nas clínicas médica e pediátrica, 30% dos diagnósticos estavam relacionadas ao forte calor, ou seja, 67 casos em números absolutos. “Devido ao calor, a proliferação bacteriana nos alimentos é mais rápida, o que provoca, por exemplo, os surtos diarreicos”, explicou.

 O que foi compartilhado pela pediatra Iria Ramos, do Departamento de Vigilância à Saúde de Santo André. “Geralmente a diarreia vem associada ao vômito, que também levarão à desidratação. Por isso, todo cuidado no consumo e preparo dos alimentos como forma de prevenção para se evitar as doenças transmitidas por alimentos”, alertou a médica, que trabalha diretamente com a Vigilância Epidemiológica. Aliás, outra dica é evitar o consumo de alimentos na rua, inclusive pela preocupação com a temperatura adequada e a refrigeração.

 Desidratação, queda de pressão e problemas respiratórios são decorrentes da dobradinha calor e tempo seco. A pediatra Carla Dutra, que faz parte da equipe do Programa da Saúde da Criança e do Adolescente, vinculado à rede de atenção básica, ressaltou ainda a incidência de lesões de pele nos recém-nascidos, por exemplo, como as populares brotoejas – tecnicamente denominadas como miliárias ou sudâmina. “Trata-se de erupção cutânea pelo aquecimento da pele e que pode ser evitada com o uso de roupas leves e adequadas”, explicou.

 E a profissional recomendou ainda nestes dias quentes: maior ingestão hídrica, desde água até sucos naturais, conservação adequada dos alimentos e cuidados de higiene. “Sem dúvida, são grandes aliados na prevenção de uma diarréia aguda, evitando-se, inclusive, a necessidade de hospitalização para hidratação venosa”, afirmou Carla. No município, são quatro PAs (Prontos Atendimentos) – Central, Bangu, Vila Luzita e Paranapiacaba, além de três UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) – Centro, Sacadura Cabral e Jardim Santo André, todos com funcionamento 24 horas e porta de entrada ao usuário do SUS (Sistema Único de Saúde) para esses casos.