Distúrbios do sono afetam cerca de 43% dos brasileiros

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), cerca de 40% da população mundial sofre com algum tipo de distúrbio ou síndrome do sono. Apenas no Brasil, 43% dos cidadãos não dormem da maneira correta.

Segundo a Associação Brasileira do Sono, há cerca de 90 distúrbios do sono. O aumento de diagnósticos relacionado ao assunto fez com que a medicina buscasse aprofundar seus estudos sobre o tema.Conheça dois dos problema as mais comuns relacionados ao sono:

Apneia
A apneia do sono é caracterizada pela obstrução parcial ou total das vias aéreas durante o sono. A parada da respiração por longos períodos pode diminuir a oxigenação do cérebro, causando diversos danos ao organismo. As causas são variadas: obesidade, relaxamento dos músculos da garganta e língua, malformações da mandíbula ou faringe, entre outros.

“O paciente pode relatar sintomas como o ronco, paradas da respiração durante o sono e sonolência excessiva durante o dia”, afirmou Lia Rita Bittencourt, diretora clínica do Instituto do Sono.

O diagnóstico é firmado pelo exame de polissonografia, realizado enquanto o paciente dorme. “Quando esse exame acusa mais de cinco paradas respiratórias (apneias) por hora de sono, associadas às queixas do paciente sobre a qualidade do sono, confirma-se o diagnóstico”, apontou a especialista. O tratamento depende da causa e gravidade. Em casos mais leves, medidas simples como dormir de lado ou perder peso podem ajudar.

Frequentemente, em casos mais graves, o uso do equipamento Continuous Positive Airway Pressure (CPAP) é recomendado. “O aparelho gera um fluxo de ar em alta velocidade, que é liberado ao paciente por meio de uma máscara durante o sono. O ar cria um pressão que é transmitida para a garganta, o que impede o ronco e as apneias”, explicou a especialista.

O empresário Ricardo Paiva, 50, teve diagnosticado um caso gravíssimo de apneia, e realizou um procedimento cirúrgico que, segundo ele, mudou sua vida. “Fiz uma cirurgia para diversas finalidades, pois eram várias as coisas que acentuavam a apneia no meu caso, como maxilar e mandíbula recuados, desvio de septo, canal de faringe e laringe estreitos, entre outras coisas”, explicou Paiva.

Além da cirurgia de 19 horas, o pós-operatório foi complicado. Depois de 40 dias se alimentando apenas de líquidos, o empresário saiu do hospital com apenas 43 quilos dos 80 que tinha. 

Apesar de os sintomas terem melhorado com o procedimento, Paiva não ficou contente com o resultado estético. Segundo ele, os avanços do maxilar e da mandíbula deixaram seu rosto muito diferente e as pessoas não o reconheciam. “Fiz outras cinco cirurgias corretivas, e em uma delas tive o nervo facial lesionado, o que me deixou uma paralisia facial desde 2003”, contou o empresário.
Hoje ele voltou a roncar e usa o aparelho CPAP para dormir. “Não durmo todos os dias com ele, porque ainda não me adaptei. Mas com seu uso, tenho pelo menos uns três dias de vida normal”, explicou.

Bruxismo
O bruxismo é um distúrbio caracterizado pelo apertar e ranger dos dentes, de forma involuntária, durante o sono. “Geralmente leva a problemas dentários e dor de face e cabeça”, afirmou Lia.

As causas são variadas, mas o estresse é frequentemente apontado com causador do problema. Para o tratamento, é recomendado o uso de placas orais de silicone ou acrílico que protegem os dentes do desgaste. Acompanhamento psicológico também ajuda.
A farmacêutica Daniele Correa, 22, descobriu que tinha bruxismo há dez anos. Ela não sente dores, mas se incomoda com os dentes que se desgastam com o tempo. 

“Quando fui ao dentista, ele me explicou melhor o que era o bruxismo e sugeriu que extravasasse o estresse do dia a dia em algum esporte ou atividade que me fizesse relaxar”, contou. O uso da placa oral também foi sugerido. Hoje, Daniele aderiu à academia e às aulas de teatro para aliviar a tensão. “Não resolveu o problema, mas ajudou bastante”, apontou.

Outros distúrbios

Além desses, ainda há uma série de problemas que afetam o sono. Alguns, como o ronco e a insônia, são frequentes. Outros, como o sonambulismo e o terror noturno, são mais raros. O importante é ficar atento para identificar quaisquer alterações na qualidade do sono. “Geralmente, a pessoa percebe as alterações diurnas de um noite mal dormida: sonolência, alteração de humor, memória, raciocínio, libido entre outras”, falou Lia. Nesses casos, é sempre bom estar alerta e procurar um especialista.

*Esta reportagem foi produzida por alunos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo