Trotes ao serviço do Samu são de 10% em Santo André

*Da redação

Acionado pelo telefone 192, o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Santo André recebeu 87.118 ligações entre janeiro e dezembro do último ano. Deste total, 10% foram referentes a trotes, ou seja, 8.700 casos. O restante das chamadas ficou diluído entre ocorrências efetivas e orientações em geral ao público e/ou encaminhamentos para as polícias civil e militar e o Corpo de Bombeiros, entre outros. Em 2013, o serviço realizou efetivamente 34 mil atendimentos à população.

Embora o percentual de ligações falsas tenha diminuído ao longo dos anos por meio de ações efetivas da Administração, a situação ainda preocupa aos profissionais que trabalham para salvar vidas. “Às vezes, chegamos a encaminhar a viatura até o local sem necessidade e deixamos de atender a um chamado real”, apontou o médico Evandro José Gonçalves, coordenador geral do Samu andreense. Em 2011, a média de trote girava em torno de 38%, principalmente nos meses de férias escolares – julho, dezembro, janeiro e fevereiro.

Para atingir o público-alvo da brincadeira de mau gosto e passível de multa para quem passar trote a qualquer tipo de serviço de emergência no Estado de São Paulo, composto em sua maioria por crianças e adolescentes, o governo criou o Samu nas Escolas, programa existente desde 2005 na cidade e capitaneado pelo Nepu (Núcleo de Educação Permanente de Urgência). No ano passado, cerca de 60 instituições públicas de ensino, entre municipais e estaduais, foram visitadas e atingiram em torno de dez mil alunos, inclusive do EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Na prática, trata-se de uma ação educacional nas escolas para redução de danos ao serviço de urgência. “É basicamente um trabalho de orientação sobre o uso do 192, e, consequentemente, para redução dos trotes e multiplicação da informação”, explicou o coordenador do Nepu, Fernando dos Santos Morales. Na Educação Infantil, por exemplo, o trabalho de conscientização chega de forma lúdica: por meio de teatro, inclusive o mascote do personagem Samuzinho.

As palestras estão direcionadas à ala dos adolescentes até o público adulto, inclusive alunos do EJA. Entre os temas abordados estão prevenção de acidentes domésticos, de trânsito e na escola, além de incluir dicas de primeiros socorros, como emergências clínicas (engasgo e sangramento nasal) e traumáticas (queda, fratura e atropelamento). A partir de março, o Samu nas Escolas retoma o trabalho para tornar o serviço 192 mais ágil e eficiente.

BALANÇO – Das 34 mil ocorrências registradas em 2013, a Central de Regulação do Samu realizou 22.671 atendimentos clínicos (casos de falta de ar, dor no peito, enfarto e acidente vascular cerebral, entre outros); 7.703 vítimas de causas externas (como acidentes de trânsito, quedas, esfaqueados, baleados); 2.347 casos psiquiátricos, ou seja, relacionados à área de Saúde Mental, e 1.279 atendimentos prestados para gestantes.

Do total de chamadas atendidas pelo serviço 192 neste período, 20.329 foram vítimas homens e 14.428 mulheres – vale ressaltar que um mesmo atendimento pode ter mais de uma pessoa atendida. “Nossa meta é prestar o atendimento de urgência e emergência no menor tempo possível, dentro dos padrões, para evitar maiores sequelas para a vítima”, explicou o coordenador do Samu. Em 2012, foram 26.371 atendimentos prestados pela equipe.

E neste ano, somente em janeiro, a Central de Regulação já registrou 7.170 chamadas, das quais 2.653 se transformaram em atendimentos efetivos – as ocorrências clínicas foram a maior incidência: 1.716. As vítimas do sexo masculino prevaleceram (1.601) contra 1.216 mulheres.

Por cada plantão de 12 horas, o Samu, serviço gratuito à população por 24 horas e que completará dez anos em setembro, está nas ruas de Santo André com 14 viaturas, sendo 12 de suporte básico e duas de suporte avançado, chamada UTI (Unidade de Terapia Intensiva), além de duas motolâncias.

Na linha de frente, auxiliar ou técnico de enfermagem e motorista, nas viaturas de suporte básico. Na UTI, além do motorista, a presença de um médico e um enfermeiro. No ano passado, a frota foi renovada com a entrega de 11 veículos pelo Ministério da Saúde. Na Central de Regulação, localizada nos Jardins Las Vegas/Milena, a equipe é composta por três médicos reguladores, dois operadores de rádio e três técnicos auxiliares de regulação médica (telefonista).