Terapia com cavalos melhora a vida de crianças com autismo

Projeto-piloto da Prefeitura prevê, ainda, atendimento integral com fonoaudiólogos e fisioterapeutas

 “Fiquei sem reação no momento. Fico feliz porque ela quase não fala.” Foi dessa maneira que Simone Rodrigues definiu o momento em que sua filha Aysha Ruany Rodrigues de Oliveira disse, pela primeira vez, a palavra “cavalinho”. Aysha, que tem autismo, foi uma das quatro crianças que participaram de projeto-piloto da Secretaria de Saúde de São Bernardo que prevê sessões semanais no serviço de equoterapia para pacientes do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Infantil. O atendimento a esse grupo terminou em outubro, e uma nova turma terá inicio ainda neste mês.

Nas primeiras semanas do projeto, Simone relata que, além de a filha ter aprendido uma nova palavra, está mais calma em casa. “No início ela demonstrava certo medo, mas depois que ela montou no cavalo não queria mais descer”, disse a mãe.

 Carla Santana da Silva, mãe do paciente Sandro Ubiratan, relatou que, desde que começou a participar das sessões, o filho está mais calmo: “As crianças com autismo geralmente são hiperativas e têm picos de estresse. No caso do Sandro, a equoterapia o ajudou a ficar mais tranquilo”, afirmou.

 O serviço teve início em janeiro deste ano, com a elaboração de projeto terapêutico único para as crianças envolvidas nas sessões. Antes do começo dos trabalhos, os pacientes passaram por exames médicos e foram avaliados pelas equoterapeutas, que verificaram se o grupo tinha condições de participar das atividades com cavalos.

 O Centro Municipal de Equoterapia mantido pela Prefeitura possui fonoaudiólogos, fisioterapeutas, zootecnistas e auxiliares de pista. Atualmente, a unidade realiza 64 atendimentos semanais. Os encaminhamentos são feitos pelo Centro Especializado em Reabilitação (CER), além de atender pacientes do CAPS-AD (Álcool e Drogas) e agora do CAPS Infantil.

 As sessões ocorrem sempre às sextas-feiras pela manhã. A previsão é que as crianças permaneçam na equoterapia por oito meses. “Esse é o período considerado ideal para que as crianças desenvolvam e melhorem suas atividades motoras, postura, entre outros campos”, disse a coordenadora do Centro de Equoterapia Juliana Lacerda.

 A coordenadora explicou que, enquanto aguardam o momento de montar, que é feito de forma individual, os pacientes fazem atividades relacionadas ao desenvolvimento da linguagem e coordenação motora. “O atendimento em grupo aos autistas também favorece a interação entre eles e os profissionais”, destacou.

 Juliana Andrade explicou que há muitos benefícios para os pacientes que frequentam a equoterapia. “A pessoa que é cadeirante, por exemplo, consegue ver o mundo de outra perspectiva quando está em cima de um cavalo. Além disso, se dá conta de que consegue controlar o animal.”

Serviço – O Centro Municipal de Equoterapia fica na Av. Wallace Simonsen, 1.750, Bairro Nova Petrópolis.