PT de Diadema faz ato contra fim da integração no trólebus

Metra, operadora do transporte, chamou a polícia para impedir panfletagem

A manhã desta quinta-feira (27/10) foi marcada pelo protesto dos vereadores e 60 militantes do PT em Diadema. O grupo se dividiu entre os terminais de Diadema e Piraporinha para alertar a população sobre a decisão da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) de acabar com a integração gratuita entre ônibus e trólebus. Dois fatos chamaram a atenção no protesto: a desinformação da população sobre a intenção do governo do Estado em acabar com a integração grauita e a reação da Metra, operadora da linha do trólebus, que chamou a polícia para impedir a panfletagem.

Aproximadamente 15 mil panfletos e dois carros de sons foram responsáveis por informar os munícipes. O ato foi realizado das 5h às 7h, horários de maior movimentação dos locais.

Para o presidente do diretório do PT, Josemundo Dário de Queiroz, o Josa, a ação foi positiva e o povo recebeu a notícia com espanto e indignação. “Muitas pessoas desconheciam a decisão do governo do Estado, por isso buscamos informar e esclarecer os usuários”, comentou.  O vereador Manoel Eduardo Marinho, o Maninho, acredita que a mobilização do povo contribuirá para a sensibilização da EMTU em rever essa decisão. “Vamos mostrar que o governo do Estado mexeu com a cidade errada. È preciso devolver o que é de direito do povo”, desabafou.

No início, os manifestantes estavam realizando a ação dentro dos terminais, porém a concessionária Metra, que opera o Corredor ABD, chamou a polícia para retirada do grupo. Entretanto, não houve confrontos. “Com a chegada da polícia, tivemos que sair, mas tudo foi resolvido na conversa”, detalhou Josa. Após a chegada da PM, o alerta a população prosseguiu do lado de fora dos terminais.

A decisão de manifestar foi tomada, na última terça-feira (25/10), após o prefeito de Diadema, Mário Reali, se reunir com o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes e com o presidente da EMTU, Joaquim Lopes e ambos reforçarem o projeto de cobrar pelo serviço, que é gratuito desde 1995. O governo do Estado justifica que a demanda em 14 anos cresceu 24% e que financeiramente está inviável manter o serviço gratuito.

Próximo passo – De acordo com Josa, até o final de semana, carros de sons circularão nos bairros da cidade para alertar a população sobre a postura do governo do Estado. E na próxima terça-feira (01/11) está agendada uma reunião, às 18h, na subsede do Sindicato dos Metalúrgicos de Diadema. “Neste dia, queremos ampliar o movimento para outros partidos, movimentos, sindicatos e entidades que queiram combater essa decisão do Estado”, avisou. Já Reali tentará, para os próximos dias, agendar uma audiência com o governador Geraldo Alckmin para discutir o assunto.

O caso- Na semana passada Reali informou que o governo do Estado pretende cobrar pela integração do trólebus e ônibus municipais de Diadema, realizada gratuitamente desde a década de 1990 nos terminais Diadema e Piraporinha.

A justificativa da EMTU é de que o recurso oriundo da cobrança será para pagar a manutenção do sistema elétrico do Corredor ABD, que liga São Mateus, na zona Leste da Capital, passa pelo ABCD e segue até Jabaquara, na zona Sul. Até então, alguns trechos do sistema operavam apenas com ônibus a diesel.

No terminal de São Mateus, na Capital, onde a integração entre o trólebus e o ônibus também é gratuita, está com os dias contados. A empresa não quer renovar os contratos anuais de prestação de serviços, enquanto as prefeituras não aceitarem cobrar dos usuários a tarifa integral de R$ 2,90 ou uma sobretaxa de R$ 1 entre o embarque e desembarque dos veículos municipais e intermunicipais.

Diferente de Reali, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), já teria acordado instalar a cobrança de R$ 1 no terminal de São Mateus.