Dez motocicletas são roubadas ou furtadas a cada dia na região

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Nos sete primeiros meses, Grande ABC registrou 2.164 casos do tipo; especialista avalia a legislação

Todos os dias são registrados, em média, 10 roubos ou furtos de motocicletas no Grande ABC. De janeiro a julho deste ano, a região teve 2.164 ocorrências do tipo, segundo dados do Boletim Tracker-Fecap, divulgado neste mês e separado por cidade pelos pesquisadores a pedido do Diário. São Bernardo lidera com 661 dos casos, seguida por Santo André (554), Diadema (477), Mauá (325), São Caetano (109), Ribeirão Pires (34) e Rio Grande da Serra (4). Em resposta, a SSP (Secretaria da Segurança Pública do Estado) afirma que “não comenta estudos dos quais desconhece a metodologia”, mas diz ter intensificado ações contra esse tipo de crime.

Para Leonardo Sant’Anna, especialista em segurança pública e privada, é necessária uma mudança na legislação para endurecer as penas de quem comete esse tipo de crime, já que a motocicleta tem ganhado cada vez mais espaço nas ruas, principalmente devido ao avanço das entregas por aplicativos.

Para quem sofre com o delito, Sant’Anna aconselha que seja feito Boletim de Ocorrência, porque isso faz “muita diferença” para identificar os pontos onde o crime acontece com mais frequência, auxiliando na criação de políticas públicas. Além disso, o especialista orienta para ações simples, como uso de travas na moto.

“O roubo de motos, bem como outros tipos, se tornaram vantajosos pois temos três elementos que continuam crescendo no País. O primeiro é a sensação de impunidade, a ideia de que o crime compensa. No segundo tratamos das pessoas que vendem esse tipo de material, principalmente depois que as motocicletas são depenadas, sendo o terceiro elemento aquele que adquirem os produtos, que também se sentem contemplados com uma legislação que não os alcança de forma efetiva e, quando acontece, as penas são brandas”, diz o especialista.

Sant’Anna ainda aponta a dificuldade de adquirir peças no mercado formal como um impulso para a venda paralela, além da facilidade de esconder o produto após o desmanche. O fato também é apontado pelo coordenador do Núcleo de Pesquisa da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), Erivaldo Costa Vieira, responsável pela pesquisa. “A escassez de peças no mercado formal elevou os preços no mercado paralelo. Isso amplia a lucratividade no universo criminoso, atraindo inclusive indivíduos que antes estavam envolvidos em outros tipos de delitos”, afirma.

No Estado de São Paulo, todos os dias, são registrados em torno de 100 roubos ou furtos de motocicletas. A medida de cálculo, porém, é diferente, já que o estudo compreende apenas os seis primeiros meses do ano. De janeiro a julho de 2023, a alta foi de 7,14% na comparação com o mesmo período de 2022, sendo 18.292 eventos este ano, ante 17.073 no ano passado. O crescimento foi impulsionado pelos furtos, que aumentaram 16,24%.

Os dados do Boletim Tracker-Fecap foram baseados nas informações fornecidas pela SSP, que sofreram modificações decorrentes de auditorias. Para os dados de 2023, o Boletim Tracker-Fecap ressalta uma inconsistência: os números totais de roubos e furtos de veículos fornecidos pela SSP-SP, após a auditoria, não coincidem com os disponíveis na planilha de ‘veículos subtraídos’ da própria SSP. A nota técnica dos pesquisadores afirma que foram pedidos esclarecimentos à SSP no Centro de Análise, Planejamento e Estatística, mas “até o momento não obtivemos respostas”.

FALA SSP

Em resposta, a SSP (Secretaria da Segurança Pública do Estado) afirma que “não comenta estudos dos quais desconhece a metodologia”. A Pasta diz ainda que intensificou ações contra roubos e furtos de motocicletas, incluindo as de alta cilindrada, e, para identificar e desmantelar grupos criminosos especializados, através do CICC (Centro Integrado de Comando e Controle), criou um grupo de trabalho específico para o tema. Além disso, a SSP destacou o trabalho conjunto entre as polícias Militar, Civil e Técnico Científica, que desencadeiam operações policiais em todo o Estado, incluindo o Grande ABC.

Fonte Diario do Grande ABC

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