Desemprego cai no ABC entre agosto e setembro

Integrantes da Rede de Gestores de RH do Grande ABC acompanham o movimento do mercado de trabalho na região através Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED ABC), realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese, em parceria com o Consórcio Intermunicipal Grande ABC.

O ABC registrou queda de meio ponto percentual na taxa de desemprego, ao passar dos 13,6%, em agosto, para os atuais 13,1%. Ao mesmo tempo, as demais regiões mapeadas na Grande São Paulo apresentaram elevação ou estabilidade quanto ao número de desempregados. As informações são da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED ABC), realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese, em parceria com o Consórcio Intermunicipal Grande ABC, e divulgadas nesta quarta-feira (28) na sede da entidade regional. Para o assessor técnico do Dieese, Thomaz Ferreira Jensen, os dados são ainda mais positivos quando se leva em conta o atual momento da economia brasileira. “A melhora no segundo semestre é esperada, mas o ritmo foi surpreendente no ABC, principalmente se lembrarmos do quadro econômico desfavorável enfrentado atualmente”, destacou.

Nesta quinta-feira (29), às 18h30, o Consórcio fará nova apresentação da pesquisa, desta vez aos profissionais de Recursos Humanos da região, numa ação que conta com o apoio da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, braço executivo do Consórcio para assuntos ligados à economia regional, e rede de Gestores de Recursos Humanos. “Com as informações da PED, esses profissionais terão indicativos importantes de como está a taxa de desemprego, a remuneração média para a região, informações sobre jornada de trabalho, etc. É um privilégio atuar em uma região em que temos um panorama de mercado mensal tão detalhado”, avaliou Thomaz Jensen, lembrando que o ABC é a única área do país, fora de capitais, que conta com uma pesquisa domiciliar específica mensalmente.

REGIÃO METROPOLITANA

O contingente de desempregados foi estimado em 182 mil pessoas, 6 mil a menos do que no mês anterior. Este resultado decorreu do aumento do nível de ocupação (geração de 18 mil postos de trabalho, ou 1,5%) em número superior ao crescimento da População Economicamente Ativa – PEA (ingresso de 12 mil pessoas na força de trabalho da região, ou 0,9%). Entre agosto e setembro, nos domínios geográficos para os quais os indicadores da PED são calculados, a taxa de desemprego total elevou-se nos demais municípios da RMSP, exclusive a capital (de 14,4% para 14,9%) e, em menor proporção, na RMSP (de 13,9% para 14,2%) e permaneceu estável (13,6%) no município de São Paulo.

Na Região do ABC, o contingente de ocupados aumentou 1,5%, passando a ser estimado em 1.211 mil pessoas. Setorialmente, esse resultado decorreu da elevação do nível de ocupação nos Serviços (2,7%, ou geração de 18 mil postos de trabalho) e no Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas (4,6%, ou 9 mil), enquanto houve redução na Indústria de Transformação (-1,9%, ou eliminação de 5 mil postos de trabalho).

Para o secretário Executivo do Consórcio, Luís Paulo Bresciani, os sinais positivos indicam que o número de desempregados pode continuar caindo. ‘’Não temos um cenário configurado. O segundo semestre costuma reverter a curva e setembro tem comprovado isso. Há sinais bons para que desemprego apresente redução dentro da região’’, avaliou.

Segundo posição na ocupação, o número de assalariados permaneceu em relativa estabilidade (0,2%). No setor privado, variaram positivamente os contingentes de empregados com e sem carteira de trabalho assinada (0,4% e 1,2%, respectivamente). No setor público, o número de assalariados diminuiu em 2,8%. No mês em análise, reduziu-se o contingente de autônomos (-0,5%) – com retração dos que trabalham para empresas (-7,1%) e crescimento dos que trabalham para o público (6,5%) – e elevou-se o dos ocupados nas demais posições (7,4%).

Em setembro, a média de horas semanais trabalhadas manteve-se estável entre os ocupados e os assalariados (41). A proporção dos que trabalharam mais de 44 horas semanais reduziu-se para os ocupados (de 29,2% para 28,0%) e assalariados (de 26,0% para 24,6%).

Entre julho e agosto de 2015, mantiveram-se relativamente estáveis os rendimentos médios reais de ocupados (0,1%) e assalariados (0,3%), que passaram a equivaler a R$ 2.054 e R$ 2.133, respectivamente. Apesar da recuperação, o técnico da pesquisa ressaltou que o custo de mão de obra no Brasil está mais barato que o dos vizinhos da América do Sul. ‘’Isso se dá por conta da desvalorização do real. O ABC é tido como um dos locais com melhores remunerações no país, e por conta desse componente acaba não espelhando o cenário nacional’’, comentou Thomaz.

Diminuiu a massa de rendimentos dos ocupados (-1,2%) e praticamente não variou a dos assalariados (-0,2%). No caso dos ocupados, tal resultado deveu-se à redução do nível de ocupação, uma vez que variou positivamente o rendimento médio real, e, entre os assalariados, a relativa estabilidade decorreu, principalmente, da redução do nível de emprego.

COMPORTAMENTO EM 12 MESES

Em setembro de 2015, a taxa de desemprego total na Região do ABC (13,1%) ficou acima da observada no mesmo mês de 2014 (11,0%). Em termos absolutos, o contingente de desempregados ampliou-se em 29 mil pessoas, como resultado da redução do nível de ocupação (eliminação de 25 mil postos de trabalho, ou -2,0%) e da ligeira variação positiva da População Economicamente Ativa – PEA (ingresso de 4 mil pessoas na força de trabalho da região, ou 0,3%).

O técnico lembrou que embora a taxa esteja em patamar elevado, a região dificilmente irá alcançar o pico da década de 1990, quando a taxa de desemprego atingiu números recordes. ‘’É evidente que a região tem sentido o impacto da macroeconomia, mas estamos longe das taxas históricas da década de 1990 e da virada para os anos 2000. Naquele tempo o índice de desemprego ultrapassava 20%” disse Thomaz Jensen.

Entre setembro de 2014 e de 2015, o nível de ocupação diminuiu pelo décimo terceiro mês consecutivo, nessa base de comparação (-2,0%). Sob a ótica setorial, tal resultado decorreu das reduções na Indústria de Transformação (-19,7%, ou eliminação de 63 mil postos de trabalho) – com destaque para o segmento da metal-mecânica (-21,3%, ou -36 mil) – e na Construção, parcialmente compensadas pelos aumentos nos Serviços (6,4%, ou geração de 41 mil postos de trabalho) e no Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas (4,1%, ou 8 mil).

O secretário Executivo destacou a importância da Indústria de Transformação para a revitalização da economia regional. ‘’A média do emprego industrial no ABC ainda é superior ao restante do país. Devemos aguardar o início do ano que vem para termos clareza da real situação do setor’’, defendeu.

O nível de assalariamento reduziu-se em 5,6% nos últimos 12 meses. No setor privado, diminuíram os contingentes de assalariados com e sem carteira de trabalho assinada (-8,6% e -5,6%, respectivamente). O emprego público expandiu-se em 19,5%. No período em análise, elevaram-se o número de autônomos (5,6%) – com aumento dos que trabalham para empresa (11,4%) e para o público (3,6%) – e o dos ocupados nas demais posições (6,1%).

Entre agosto de 2014 e de 2015, retraíram-se os rendimentos médios reais de ocupados (-7,9%) e assalariados (-7,7%). Também contraíram-se as massas de rendimentos reais dos ocupados (-9,9%) e dos assalariados (-10,9%), em ambos os casos, devido às reduções nos rendimentos médios reais e, em menor proporção, no nível de ocupação.

Jensen destacou a inflação como possível fator para a redução da massa de rendimentos dos ocupados (-1,2%). ‘’Esses são componentes que podem explicar a queda. Ainda assim, acredito que quando a inflação se estabilizar poderemos ter uma recuperação até mais rápida que outras regiões do país’’, sinalizou.