ABC registra aumento no número de pessoas com nome negativado

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O valor mostra um grande salto de inadimplentes comparado ao ano passado

Em abril de 2023 o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) com apoio da Agência de Desenvolvimento Econômico Grande ABC divulgou dados sobre o número de inadimplentes que residem na região do Grande ABC mostrando que a quantidade vem aumentando. Este ano o ABC registrou a marca de 13,58%, exibindo um crescimento significativo em comparação ao ano passado, em que a região Sudeste marcou 6,87%.

Já em agosto deste ano, de acordo com dados fornecidos pelo CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de São Caetano do Sul, cerca de 380 mil moradores estão com o nome negativado, sendo 70,36% com dívidas em bancos, e 14,57% não conseguiram pagar suas contas de água ou luz. As mulheres são  a maioria dessas pessoas que estão em dívida, representando a porcentagem de 50,44% enquanto homens refletem 49,59% na média. Já a faixa etária predominante está entre 30 a 39 anos. O crescimento negativo registra o total de 10,75% nas sete cidades do ABC em comparação a 2022.

Quando questionado sobre o que poderia estar motivando esse crescimento, o presidente da CDL de São Caetano, Alexandre Damásio, afirma “O crédito concedido à população tem altíssimo retorno financeiro para o sistema bancário e o risco de inadimplência é pulverizado entre os tomadores. Esse risco aumenta o juros das operações e  mantém o crédito como o melhor produto para os bancos. Emprestar dinheiro é muito rentável. No entanto, o aumento dos juros criam um efeito em cascata de encarecimento do resto do mercado, de serviços a produtos, de matéria prima até alimentos. No ABC tem uma taxa alta de inadimplência porque possui uma grande população consumidora, concentração de renda e emprego. Um pacote ideal para emprestar dinheiro, no entanto quem pega esse dinheiro, na grande maioria não sabe gerenciar suas contas, não possui educação financeira e assim acumula despesas, contratos e obrigações gerando a inadimplência”.

Uma das saídas que estão sendo visadas como solução está sendo o programa Desenrola Brasil, criado pelo governo em julho deste ano com o intuito de retomar o crédito de pessoas que estão com alguma dívida no nome. De acordo com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos), durante os meses de junho e julho, foram gerados cerca de 1,5 milhões de contratos negociados, o que representa R$9,5 bilhões em volume financeiro.

Para participar do programa Desenrola, é necessário realizar uma autenticação no site Gov.br e possuir os níveis de certificação Prata ou Ouro, para obtê-las é necessário seguir alguns passos. A classificação prata utiliza o certificado digital, com o processo de emissão via Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), e pode ser usada em todas as transações e documentos com o Poder público, já para o nível ouro é aceito nos processos e transações com entes públicos quando envolvem informações protegidas por grau de sigilo e registro de atos nas juntas comerciais, como registro ou transferência de propriedade de empresas, marcas ou patentes; celebração de contratos; envio de documentos digitais ou de pedidos de recurso em procedimentos administrativos ou de fiscalização.

Após a inscrição é necessário realizar uma atualização dos dados cadastrais. Com esses passos basta escolher uma das instituições inscritas no programa que deseja realizar a renegociação e escolher a quantidade de parcelas que deseja.

Rosangela Macedo (59) aposentada e residente de Santo André, conta que o programa veio no momento certo para ela: “Já faz um bom tempo que eu estava com uma dívida de banco, mas não existia a menor possibilidade de pagar ela no valor que ela estava antes. Com a ajuda do meu filho foi simples e fácil realizar o processo, só de pensar que logo meu nome vai estar limpo isso já me tranquiliza mais”.

Apesar de estar recebendo comentários positivos, “Podemos dizer que os efeitos do Desenrola Brasil não são tão efetivos como o governo apregoa. É um processo que nós vamos ver se funciona ou não acompanhando os índices e, além disso, é muito relevante entender que, quando se tem aumento de inadimplência de contas de água e de luz, é porque o Desenrola não está falando com um público que já está (vivendo) no limite do possível”, conclui o presidente da CDL de São Caetano.

Feita por Ana Carolina

*Esta reportagem foi produzida por estagiários da Redação Multimídia do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo.

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