A incrível história do hospital de Santo André que pode ser entregue com 10 anos de atraso e custo quase 4 vezes maior

Se você já fez alguma obra na sua casa, sabe que esse processo é sempre complicado e pode gerar algum atraso. Mas dúvido que você conheça algum projeto que tenha sido entregue 10 anos depois do previsto no início. Este é o caso da construção do Hospital da Vila Luzita, em Santo André, que foi iniciada em 2011, com previsão de entrega em 2012, mas pode ser concluído, segundo estimativa atual da prefeitura, somente no final de 2022, mais de uma década depois do seu início.

Outra curiosidade sobre este projeto que chama a atenção é que um prédio chegou a ser erguido, foi condenado após tempo de abandono e agora o hospital está sendo levantado do zero, em outro endereço. Coisas típicas de obra pública no Brasil.

A novela para construção do complexo hospitalar se arrasta desde 2011, quando o empreendimento foi anunciado pelo então prefeito Aidan Ravin (PSB). A gestão de Carlos Grana (PT) assumiu o projeto com obras paradas, chegou a retomá-las em 2013, mas não deu continuidade aos serviços. O atual chefe do Executivo, Paulinho Serra (PSDB), prometia a retomada imediata dos trabalhos no plano de governo dele, o que não ocorreu também.

Ainda no durante o primeiro mandato de Serra, foi anunciada a retomada do projeto em janeiro de 2018, com um novo nome ao equipamento: Hospital do Idoso, com promessa de entrega em junho de 2019.

Veja o post do prefeito na época.

No entanto, os serviços seguiram a passos lentos e, em fevereiro de 2019, o prefeito anunciou que o prédio erguido na avenida São Bernardo do Campo com a rua dos Cocais (este da foto do post acima) estava comprometido por conta de fortes chuvas ocorridas naquela época e que teria de ser demolido. Assim, a obra seria iniciada do zero, em outro local, ao lado do AME (Ambulatório Médico de Especialidades), na avenida Capitão Mário Toledo de Camargo.

O prazo atual para entrega do equipamento é o final de 2022, dado pelo prefeito Paulinho Serra em visita às obras na última semana. Segundo a prefeitura, a obra encontra-se na seguinte fase: a fundação do hospital foi finalizada e está em andamento a construção da chamada superestrutura, nome dado à alvenaria que se ergue acima do solo e compreende elementos como vigas, pilares, lajes, entre outros.

O custo estimado inicialmente também aumentou: orçado em R$ 3,5 milhões, o hospital custará R$ 13,6 milhões, quase 4 vezes mais que o previsto no começo do projeto.

A unidade está prevista para ter 80 leitos e funcionará em sistema de retaguarda, recebendo somente pacientes crônicos ou que necessitam longa permanência em cuidados hospitalares. Se estivesse pronto, com toda certeza desafogaria a rede no combate ao coronavírus, pois tem papel semelhante a uma unidade de reabilitação de pacientes pós-covid-19.

Texto: Cadu Proieti
Fonte: Minha região abc