Vendas do varejo no ABC caíram 11% no primeiro bimestre

A piora nos cenários político e econômico manteve em queda as vendas do comércio varejista do ABC, que caminha para registrar o terceiro ano consecutivo de retração.

Pesquisa ACVarejo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) com base em dados da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) mostra que o faturamento real (deflacionado) do setor nos sete municípios caiu 7,9% em fevereiro na comparação com igual período do ano passado. Trata-se do 15º mês seguido em que o chamado varejo ampliado (que inclui automóveis e material de construção) diminui suas vendas no ABC nesse tipo de comparação.
No primeiro bimestre, o recuo nas vendas é de 11% – queda maior que a observada no Estado de São Paulo (-9,8%).

A crise no varejo é explicada pelo declínio nos indicadores de emprego e renda, acompanhado do aumento do endividamento e do crédito mais escasso e caro. A severidade da contração, porém, é relativamente maior no Estado – e, dentro dele, no ABC – devido à acentuada redução da produção industrial, da qual a economia regional é fortemente dependente.

Com menos gente ocupada e recebendo salários menores, a massa de rendimentos ori­ginária do trabalho no ABC caiu em março ao menor patamar desde 2009, segundo dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Massa salarial menor significa menos dinheiro em circulação no comércio.

A retração nas vendas atingiu mais fortemente produtos mais caros e dependentes de crédito. É o caso, por exemplo, do segmento de materiais para construção. Em janeiro, as vendas do setor caíram 14,6% no ABC, segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Material de Construção da Grande São Paulo (Sincomavi).

Porém, a crise passou a afetar também o comércio de produtos essenciais. Prova disso é que, no Estado de São Paulo, o ACVarejo detectou quedas de 3% no segmento de farmácias e de 4,8% no de supermercados, no primeiro bimestre.

Incerteza
Para o economista Jaime Vasconcellos, do Sincomavi, a crise política inviabiliza a discussão e a implementação de reformas que podem tirar o país de uma das crises mais graves de sua história. “Diante desse cenário de incertezas, a tendência é que o varejo de materiais de construção seguirá sofrendo os impactos do baixíssimo grau de confiança de consumidores e empresários”, disse.

Para a ACSP, os dados do varejo paulista no primeiro bimestre sinalizam aprofundamento da queda nas vendas ao menos até o fim do primeiro semestre. “Em caso de novo governo é preciso estimular a recuperação da confiança, para que o desempenho do comércio melhore”, comentou o presidente da entidade e da Federação das Associações Co­merciais do Estado de São Paulo (Facesp), Alencar Burti.