Taxa de desemprego da região metropolitana de São Paulo atinge 13,7% em julho

A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo apresentou elevação de 13,2% em junho para 13,7% em julho, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), elaborada pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Fundação Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgada hoje (26), na capital paulista. Essa foi a sexta queda consecutiva.

O coordenador da pesquisa da PED, Alexandre Loloian, disse que o aumento da taxa de desemprego registrado no mês de julho é um fato inédito e não esperado. “Esse resultado atípico mostra um primeiro semestre diferente de todos os outros da série. Até agora a taxa de desemprego vinha crescendo mais influenciada pelo aumento de pessoas na força de trabalho, mas desta vez o que contribuiu para o crescimento da taxa foi a desocupação. A taxa só não foi maior porque houve menos pessoas procurando emprego”.

Segundo os dados, o contingente de desempregados chegou a 1,514 milhão de pessoas, 47 mil a mais do que no mês anterior. A pesquisa informa que houve diminuição do nível de ocupação com a eliminação de 109 mil postos de trabalho (-1,1%) e a saída de 62 mil pessoas da População Economicamente Ativa, o que representa uma redução de 0,6%. 

De acordo com a PED, de junho para julho a taxa de desemprego aumentou no município de São Paulo de 13,5% para 13,8%. Nos demais municípios da região metropolitana de São Paulo, a taxa de desemprego passou de 12,8% para 13,6%. Na região do ABC, houve diminuição de 13% para 12,7%. 

Os dados mostram também que, em julho, o nível de ocupação caiu 1,1% – o número de ocupados foi estimado em 9,535 milhões de pessoas. O resultado ocorreu em razão da queda de empregados no setor de serviços (-1,3%, com eliminação de 73 mil postos de trabalho), na construção (-6,3%, com menos 46 mil vagas), na indústria de transformação (-1,1%, com menos 17 mil empregos), não compensada pelo aumento no comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas (0,5%, com geração de 9 mil postos de trabalho).

Rendimento

De acordo com a PED, entre junho e julho o rendimento médio real dos ocupados e assalariados foi R$ 1.928,00 e R$1.945,00. A massa de rendimentos dos ocupados caiu 1,8% e a dos assalariados 1,1%. O número de assalariados caiu 1,3% em julho. No setor privado, o emprego com carteira assinada caiu 2,2% e o sem carteira aumentou 2,8%. A quantidade de autônomos caiu 1,8% e os empregados domésticos aumentaram em 3,9%.

“Como o desemprego e a redução do nível de atividade está afetando o setor privado, tivemos uma redução forte do emprego assalariado com carteira assinada. Os empregos sem carteira já estavam muito baixos, mas os com carteira vinham mantendo uma estabilidade nos últimos doze meses. Mas este mês [o indicador] caiu muito fortemente. Também começamos a destruir os bons empregos”, afirmou.

Loloian explicou ainda que a queda do salário é resultado do alto custo de vida e da inflação sobre o poder de compra das pessoas. “Este ano está atípico em todos os sentidos. Estávamos acostumados a ver o rendimento subindo a cada mês e agora está caindo”.

Na avaliação de Loloian, o normal é esperar que no segundo semestre haja uma recuperação, mas os sinais indicam que o comportamento não se repetirá como nos anos anteriores. “Alguma melhoria é tradicional nesse período, mas a tradição só se mantém se as outras tradições se mantiverem. Ninguém vai sair gastando se não tem dinheiro e se está com medo de perder o emprego”.

*Matéria modificada às 15h31 para a inclusão de informações