São Bernardo registra menor taxa de mortalidade infantil de sua história

Melhoria e maior acesso das gestantes aos serviços de saúde pública são causas da diminuição da mortalidade infantil

A mortalidade infantil de São Bernardo, que vem apresentando tendência de queda nos últimos anos, deve atingir índice de 8,5 óbitos por mil nascidos vivos em 2015, a menor taxa da história do município.

Com base na investigação dos óbitos pelo Comitê de Mortalidade Materna e Infantil de São Bernardo, foi registrado no ano passado um total de 95 óbitos nessa faixa etária. Já em 2014, segundo a Fundação Seade, foram computadas 113 mortes, fazendo com que a taxa de mortalidade infantil chegasse a 9,9 por mil nascidos vivos.

Nesse levantamento de 2014, o último anunciado oficialmente pela Seade, São Bernardo já aparecia em posição melhor que a média do Brasil, que foi de 11,4, e a do estado de São Paulo, com 11,3 óbitos por mil nascidos vivos.

Considerando as últimas duas décadas, a mortalidade infantil no município de São Bernardo sofreu redução de mais de 60%. Em 1994, de cada mil nascidos vivos, mais de 22 morriam antes de completar um ano de vida.

Para a secretária de Saúde, “estes resultados representam avanços muito significativos nas condições de vida e de saúde da população municipal, uma vez que a mortalidade infantil é um indicador de saúde sensível às condições socioeconômicas e de infraestrutura, assim como ao acesso e à qualidade dos serviços de saúde oferecidos às gestantes e à população infantil.” Odete lembra que a redução da mortalidade infantil é um objetivo que vem sendo perseguido pela administração municipal desde 2009, quando iniciou-se um conjunto de medidas com essa finalidade.

A ampliação da cobertura e qualidade do pré-natal na rede básica foi uma delas, assim como a significativa ampliação da cobertura da Estratégia de Saúde da Família. “Houve um esforço de capacitação dos profissionais da Atenção Básica no cuidado com as gestantes e a cobertura de 100% do território por agentes comunitários de saúde vem possibilitando a identificação e monitoramento de gestantes com maior vulnerabilidade”, destaca .

Também a ampliação da Estratégia de Saúde da Família, que é formada por equipes multiprofissionais que fazem visitas regulares aos domicílios dos usuários, tem sido essencial na queda da mortalidade infantil, já que as equipes aumentaram de 16, em 2008, para 133, atualmente.

O papel do Hospital Municipal Universitário (HMU), como unidade que oferece cuidado especializado e de excelência às gestantes e bebês de alto risco, é outro fator apontado pela secretária de Saúde para a melhora dos índices de mortalidade em crianças menores de um ano. “O governo investiu em novos equipamentos e na ampliação de leitos da UTI Neonatal para que as gestantes de alto risco não precisem dar à luz em outras cidades”. Da mesma forma, são relevantes a existência do Banco de Leite Humano – que disponibiliza leite materno para crianças prematuras e de baixo peso -, e a implantação do Pronto-Socorro Ginecológico e Obstétrico no HMU, o que agilizou e deu mais resolutividade ao atendimento das urgências e emergências obstétricas.

O processo de articulação das UPAs com as UBSs foi outra medida importante, porque os casos de gestação de risco já são encaminhados pelas unidades de pronto atendimento para acompanhamento regular pela Atenção Básica.

A secretária ressaltou ainda o desenvolvimento de ações integradas com a rede de saúde particular e a criação do Comitê Municipal de Mortalidade Materna e Infantil como essenciais para a diminuição da mortalidade infantil em São Bernardo. “Esse comitê faz a investigação de 100% dos óbitos infantis e maternos e cada caso é avaliado detalhadamente. Seja na rede pública ou privada, verificamos se as mortes poderiam ser evitadas e exigimos providências.”

Os padrões de mortalidade infantil no município sofreram importantes alterações nos últimos anos, assumindo o padrão observado nos países desenvolvidos, ou seja, com predomínio da mortalidade neonatal precoce (até 7 dias de vida) e das causas perinatais e malformações congênitas como causas principais de óbito infantil, em substituição às mortes por doenças infectocontagiosas e desnutrição.