Restauração de Paranapiacaba recebe R$ 42,4 milhões do governo

Santo André, 21 de agosto de 2013 – A Vila ferroviária de Paranapiacaba terá R$ 42,4 milhões do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) – Cidades Históricas para investir na restauração de toda a Parte Baixa. O anúncio foi feito pela presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira (20), na cidade mineira de São João Del Rei. Nesta segunda-feira (19), a cidade já havia conquistado R$ 449 milhões do PAC para melhorias em mobilidade urbana e habitação.

Presente à cerimônia, o prefeito Carlos Grana ressaltou a importância de mais este aporte do governo federal para a cidade. “A recuperação de Paranapiacaba é uma das prioridades de nosso governo. Se nos últimos quatro anos a Vila ficou esquecida, nossa Administração, com o apoio da União, vai colocá-la em destaque nos cenários considerados patrimônio histórico nacional”, afirmou o chefe do Executivo, ao mensurar que um dos 17 desafios do governo é transformar a vila inglesa em um dos principais polos turísticos do Estado.

A verba contempla os projetos de restauro apresentados pelo secretário de Gestão de Recursos Naturais de Paranapiacaba e Parque Andreense, Ricardo Di Giorgio, aos técnicos do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em março. Foram aprovadas as recuperações de imóveis representativos do modo de vida inglês e do patrimônio ferroviário. Estão nesta lista os galpões da garagem das locomotivas, das oficinas de manutenção, do almoxarifado da antiga São Paulo Railway Company – os projetos já estão prontos e aprovados pelos conselhos de preservação do patrimônio. Segundo o secretário, técnicos da secretaria já iniciaram a análise das condições estabelecidas pelo governo federal para iniciar o processo de licitação.

O restauro da sede da antiga Associação Recreativa Lyra da Serra é outra importante conquista para a Vila. O projeto de recuperação desta construção, fundada em 1903, e que abrigou um dos primeiros cinemas do Brasil, foi aprovado em 2008. Iniciada na última gestão, a obra foi abandonada em 2011. Segundo Di Giorgio, o projeto prevê a recuperação da sala de cinema. “Fico feliz por podermos retomar a obra. Fomos nós quem a projetamos, no governo João Avamileno, e seremos nós quem a entregaremos à população”, finalizou.

Os recursos do PAC Cidades Históricas contemplam ainda o restauro do campo de futebol do Serrano Athletic Club, de 1903, um dos primeiros com medidas oficiais em todo o Brasil, a reconstrução de um imóvel incendiado na região do Hospital Velho e a reforma da fachada do prédio da biblioteca, instalada numa casa de engenheiro reconstruída após um incêndio, além de um grupo de 242 imóveis da Vila Martin Smith.

OUTRAS CONQUISTAS – Recentemente, Santo André também foi contemplada com R$ 550 mil, do Ministério do Turismo, para melhorias na sinalização turística. A iniciativa integra o Pacto de Sinalização das Cidades Históricas e tem por objetivo estabelecer programação para expandir a sinalização turística das cidades históricas do Brasil.

Além disso, o projeto que relata os trabalhos desenvolvidos no Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba, que completou 10 anos no mês de junho, foi um dos selecionados no 26º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, promovido pelo Iphan, o qual visa resgatar a memória nacional e a divulgação, valorização e preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro. A iniciativa da Prefeitura de Santo André foi uma das 76 finalistas selecionadas entre 233 ações inscritas por representantes de todo o Brasil, sendo um das seis finalistas selecionadas na categoria Patrimônio Material: bens imóveis e paisagens naturais e culturais. O parque foi o único do Estado de São Paulo a ser indicado.

A Vila de Paranapiacaba, localizada a cerca de 50 km da capital, surgiu a partir de 1860, com a instalação do acampamento dos trabalhadores da construção da primeira ferrovia do Estado de São Paulo, que ligaria o porto de Santos ao planalto. A ferrovia entrou em funcionamento em fevereiro de 1867, dando um grande impulso na economia com o aumento do volume do transporte do café, até então transportado no lombo de burro numa viagem que poderia demorar vários dias.

O patrimônio tecnológico e entorno da vila, composto por remanescentes da Mata Atlântica, foram tombados em 1987 pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo), em 2002 pelo Iphan e, no ano seguinte, na esfera municipal, pelo Condephapaasa. Localizada no território de Santo André, a Vila foi adquirida pela Prefeitura em 2002. Desde então, a Administração se preocupa em cuidar deste patrimônio histórico e ambiental