Região fecha ano em retração econômica e movimento no Natal reduz 20,9%

A décima edição do Boletim EconomiABC do Observatório Econômico da Universidade Metodista de São Paulo, divulgado nesta quinta-feira (03), avalia o comportamento da economia do Grande ABC neste momento de recessão e elevação da inflação que têm caracterizado o ano de 2015. Este ano deverá registrar o pior desempenho da economia brasileira dos últimos 25 anos e a região pega “carona” neste cenário (acesse aqui o boletim completo).

A massa salarial da economia do Grande ABC se retraiu ao longo deste ano, fruto da retração no mercado de trabalho, com reflexos negativos sobre o comércio.

Com relação ao panorama econômico, do qual a região segue a situação nacional, no último mês de outubro, o Governo Federal revisou para baixo a expectativa de crescimento econômico do Brasil em 2015. De acordo com a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 deverá registrar uma retração de 3,1%. Esta projeção é mais favorável que o Indicador de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br que, no acumulado até agosto deste ano, estima que a atividade econômica diminuiu 2,99%.

Confirmando esta projeção do governo, 2015 deverá registrar o pior desempenho do PIB desde 1990, quando a retração foi de 4,35%. Naquele ano a estratégia de combate à inflação combinou um congelamento de preços e o bloqueio de liquidez no sistema bancário, acompanhados de uma política fiscal contracionista.

O desemprego é um dos fatores relevantes para a situação regional. O Grande ABC perdeu mais de 27.000 postos formais de trabalho, sendo mais de 16.000 na indústria.

Diante da política monetária contracionista, e da retração no mercado de trabalho, os efeitos sobre a atividade comercialtêm sido negativos. No acumulado entre janeiro e agosto deste ano, a média do desempenho das vendas no comércio varejista reduziu 2,9% no Brasil comparado ao mesmo período do ano anterior, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), realizada pelo IBGE. Nos 12 meses, entre setembro de 2014 e agosto de 2015, a PMC também aponta uma retração no setor comercial decerca de 1,5%.

No Estado de São Paulo a atividade comercial retraiu 3,4% até agosto deste ano, comparado a igual período do ano passado, segundo a mesma pesquisa realizada pelo IBGE. Nos 12 meses, entre setembro de 2014 e agosto de 2015, a retração do comércio em São Paulo foi de 2,1%.

 O desempenho do setor comercial ocorrido no segundo trimestre deste ano, comparado a igual período do ano anterior, foi o pior desempenho trimestral do setor desde o segundo trimestre de 2003. Diante do desempenho do setor, o levantamento realizado.

 Dado o comportamento de alguns indicadores da economia do Grande ABC, como o volume de crédito, a evolução do desemprego e o comportamento do salário real e da massa de salários, o setor comercial da região também tem sofrido com a redução do consumo.

 Segundo o indicador de atividade comercial da Serasa Experian, os segmentos que vêm apresentando o pior desempenho comercial são veículos, motos e peças; combustíveis e lubrificantes; materiais de construção.

O Grande ABC, diante das perspectivas do cenário nacional e internacional, bem como do comportamento apresentado por alguns indicadores da economia local, deverá fechar o ano de 2015 com retração do PIB.

 PIC Natal

 Os gastos com presentes para o Natal, comemorado no dia 25 de dezembro, deverá movimentar aproximadamente R$ 296 milhões na região do Grande ABC. Esta é uma das conclusões da Pesquisa de Intenção de Compra – Natal 2015, também realizada pelo Observatório Econômico da Metodista e divulgada nesta quinta-feira (03). Confira a íntegra da pesquisa: https://portal.metodista.br/observatorio-economico/publicacoes/pesquisa-de-intencao-de-compras-natal-2015.

 A projeção se aproxima da expectativa apresentada no mesmo período há quatro anos, em 2011, que na época, a projeção era de R$ 300 milhões. De acordo com os dados levantados na pesquisa, o valor médio a ser gasto por presente é de R$ 167,84, sendo que em 2014, o preço médio foi de R$ 164,50, ou seja, houve um crescimento nominal de cerca de 2% do ticket médio. No entanto, se descontada a inflação acumulada no ano, de 9,93% entre outubro de 2014 e de 2015, o preço médio que o consumidor está disposto a pagar ficou aproximadamente 7,2 % menor. Já o valor total que os consumidores pretendem gastar com presentes neste Natal é de R$ 378,88. Comparado ao ano de 2014, quando a pesquisa apontou um gasto planejado de R$ 465,70, houve uma redução nominal de aproximadamente 18,6% na disposição em gastar das famílias. Se considerada a inflação acumulada no período, a redução real é de aproximadamente 26%.

 Os principais presentes deverão ser vestuário e calçados (32,1%), perfume e cosméticos (17,7%) e brinquedos (8,1%). O principal meio de pagamento utilizado nas compras deverá ser o cartão de crédito em praticamente todas as faixas de renda, seguido por dinheiro e cartão de débito 

A expectativa é que este Natal movimente aproximadamente R$ 296 milhões no Grande ABC, contra os R$ 341 milhões apontados em 2014. A perspectiva é de que a movimentação comercial apresente uma retração nominal de 13% este ano, provocado pela menor disposição a gastar, pela redução do número médio de pessoas a serem presenteadas e a elevação dos preços em um momento de diminuição da massa de salários. Descontando a inflação de 9,93%, a redução na movimentação econômica neste natal será de 20,9%, comparado ao ano passado.