Morte de atirador da UBS pode ter ligação com PCC

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Vigilante atingido por disparos na UBS Alvarenga teve morte cerebral e foi enterrado nesta quarta

O assassinato de Natanael de Oliveira Domingos, conhecido como Lango e reconhecido por testemunhas como o atirador que entrou armado na UBS Alvarenga, no dia 31 de outubro, feriu três pessoas e foi responsável pela morte do vigilante André Sousa de Oliveira, 34 anos, tem relação com o PCC (Primeiro Comando da Capital), de acordo com a polícia. O vigia que estava internado há uma semana no Hospital Estadual de Diadema, com morte cerebral,  foi enterrado nesta quarta-feira (09/11) no Cemitério Municipal do Bairro dos Casa, Vila Carminha.

O envolvimento do PCC na morte do atirador foi levantado pela mesma testemunha, protegida pela polícia, que reconheceu Domingos como o homem armado que realizou disparos na UBS Alvarenga. “O que nos foi relatado é que a facção criminosa não tinha autorizado a morte do vigilante e por isso decidiu cobrar a conta de Lango”, explicou o delegado titular do 3º DP (Distrito Policial) de São Bernardo, Kazuyoshi Kawamoto. A quantidade de tiros também chamou a atenção da polícia. “Ele levou oito tiros, uma característica da facção criminosa”, destacou.

Domingos foi morto em uma bar na rua Gênova, 71, Parque Veneza, na última sexta-feira (04/11). A ligação entre os crimes só foi possível, porque Lango foi levado para o Pronto-Socorro Alvarenga, onde foi reconhecido por uma das testemunhas. Diante da situação, a testemunha compareceu à delegacia, onde fez o reconhecimento fotográfico, uma vez que Domingos já tinha sido preso no 3º DP, há dois meses, por receptação de carga. “A testemunha reconheceu o criminoso na foto com 90% de certeza”, disse Kawamoto.

Imagens – Os policiais também tiveram acesso a imagens de uma câmera de videomonitoramento da via pública, cedidas pela GCM (Guarda Civil Municipal). No vídeo, um homem sai correndo da unidade com algo na cintura, que possivelmente é a arma do crime. No início, a polícia imaginava tratar-se de Lango, mas a ex-namorada e a irmã do atirador não o reconheceram nas imagens.

O não-reconhecimento dos familiares de Lango e a execução de Everton Guimarães de Sousa com 11 tiros no mesmo dia e horário da morte de Lango, no Bairro Divineia, fizeram a polícia acreditar que Sousa seja o homem que aparece nas imagens e um possível comparsa de Lango na ação. “Agora trabalhamos com a suspeita de que Lango não estava sozinho. Apesar de a testemunha não ter reconhecido Sousa”, destacou.

Crime encomendado – O delegado ainda esclareceu que a ex-mulher do vigilante, Edileuza Tereza da Silva, e a ex-sogra, Tereza Severina da Silva, continuam como as principais suspeitas de serem as mandantes do crime. “A investigação segue focada nelas, até porque o perfil psicológico da ex-sogra mostra detalhes relevantes para o caso”, comentou Kawamoto. A polícia ainda revelou que existe a suspeita de que Tereza tenha relações com o PCC.

O ex-casal brigava na Justiça pela guarda dos dois filhos, que moram com Edileuza. Em uma das audiências, a ex-mulher de Oliveira prometeu mandar matá-lo. A suspeita é reforçada pela viúva do vigilante, Marina Monteiro Freitas, 31 anos, que afirma ter certeza sobre o envolvimento da ex-mulher na morte do marido. “Ela o perseguia desde a separação, há dois anos, pois não aceitava a situação. E o caso piorou quando ela soube que ele ia entrar na Justiça para conseguir a guarda das crianças”, afirmou.

Durante os depoimentos, a ex-esposa e a ex-sogra do vigia negaram qualquer participação no crime, mas a polícia garante que houve divergência entre os dois relatos. “A ex-mulher diz que o vigia era problemático e usuário de drogas, enquanto a ex-sogra falou que o relacionamento deles era ótimo. Ambas concordaram apenas ao dizer que uma sabe de tudo da vida da outra”, finalizou o delegado.