Lixo Eletrônico

Lixo eletrônico, também conhecido como e-lixo, quando descartado de forma irregular e inadequada gera prejuízos ao meio ambiente e também a saúde da população, porque a maioria desses materiais possui em sua composição metais pesados e tóxicos, como mercúrio e chumbo.

O descarte incorreto do lixo eletrônico pode ter uma série de conseqüências graves e prejudiciais ao homem e a natureza. São elas a contaminação do solo, água e por vezes do ar. Essa contaminação pode então contaminar o homem de diversas maneiras: alimentação com produtos contaminados, contato direto com água, solo e ar contaminados”, explicou  Gleydson Zeca Monteiro, gerente geral da ONG ‘Idéia Verde’ de Santo André.

Os resíduos tecnológicos são divididos em três categorias: os de linha branca que são equipamentos de cozinha e lavanderia em geral, como geladeira, fogão e lava-louças. Os de linha marrom, como tvs, câmeras digitais e cds, e os de linha cinza, que são equipamentos de escritório, tais como computadores e impressoras.

 

De acordo com um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgado em 2010, cerca de 40 milhões de toneladas de restos de computadores, impressoras, telefones, câmeras, reprodutores de música e geladeiras abandonada foram gerados no ano passado.

Algumas empresas, como a Philips – que produz diversos tipos de equipamentos eletrônicos – desenvolveram programas para tirar do meio ambiente o lixo que produzem.

De acordo com Stephany Ibrahim, analista de sustentabilidade da Philips do Brasil, nenhum produto é reutilizado, somente reciclado.

Recebemos em nossas assistências técnicas, eletrodomésticos e eletroeletrônicos pós-consumo de nossa marca, pilhas, baterias e equipamentos médicos. Todos são encaminhados a unidade de manufatura reversa, onde componentes que podem ser reciclados como metais e plásticos são retirados e encaminhados a empresas de manufatura de outros produtos, entrando em outras cadeias produtivas”, explicou.

Os produtos da marca podem ser descartados em diversas assistências autorizadas. No ABC, para descartar pilhas e baterias da Philips, o ponto é em São Caetano.

“Disponibilizamos 40 assistências autorizadas para recebimento de eletroeletrônicos e 88 para pilhas e baterias. O consumidor pode procurar um desses pontos de coleta ou solicitar a retirada do equipamento em casa”, disse Stephany.

Reutilização

O Museu do Computador, em São Paulo, também recebe doações de diversos aparelhos eletrônicos, como mouses, impressoras, rádios, computadores antigos, máquinas de escrever, celulares, baterias, notebooks, tablets, manuais, livros e softwares.

Segundo José Carlos Valle, curador do Museu do Computador quase todas as peças doadas são reutilizadas e ficam guardadas para o acervo do museu.

Com o passar dos anos e com esse projeto, Valle percebeu que as pessoas passaram a se conscientizar mais sobre os perigos do descarte ilegal desse tipo de material, mas acha que o caminho é longo e que o principal vilão são algumas empresas que não manuseiam lixo eletrônico da maneira adequada.

“Devagar, mas, estamos caminhando. As pessoas pensam muito neste quesito. No Brasil, somos todos passivos. A carga de impostos é tão grande, que passamos todos os dias pagando contas, preocupados, com um monte de coisas, que nos desviam para estes pequenos detalhes. O ilegal, são empresas de descarte que para utilizarem os componentes das placas, queimam, e jogam fora o resto. Aí mora o perigo”, comentou o curador.

 

Já na USP, existe desde 2008 o CEDIR (Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática) projeto que visa encaminhar os detritos eletroeletrônicos como mouses, teclados, CPU, monitores, impressoras, scanners, CDs, DVDs, WebCams, telefones, celulares de forma sustentável.

Qualquer pessoa física e toda a comunidade interna da universidade podem encaminhar os resíduos de informática, em pequenas quantidades agendando a data pelo telefone.

Algumas das peças doadas são reutilizadas em equipamentos montados e posteriormente encaminhadas a projetos sociais, e os componentes que não tem mais utilidade são desmontados e encaminhados à recicladores cadastrados, que tenham condições de tratar adequadamente o material.

“Normalmente esses recicladores possuem todas as licenças ambientais para esse tratamento, e no final do processo retornam ao ciclo produtivo como matéria prima, ou, no caso de conter material contaminante, ficam inertes”, disse Neuci Bicov, gestora ambiental da USP.

De acordo com a gestora, esses dejetos podem conter chumbo, mercúrio, cromo cádmio e descartado incorretamente podem contaminar os lençóis freáticos, solo e ar. “Existe uma rede de pessoas e de organizações hoje fazendo este trabalho, e cada um é importante ao difundir os perigos que o descarte irresponsável pode acarretar, mas ainda falta muito para alcançar um  maior número de pessoas e torná-las mais participativas nesse trabalho”, comentou.

 

Segundo o Gleydson Monteiro, as conseqüências dessa contaminação são observáveis apenas em longo prazo e isso colabora para que a população não preste a devida atenção aos perigos do descarte ilegal. “As pessoas não pensam que daqui a 25, 30. 50 anos poderão sofrer com doenças como o Mal de Alzheimer, saturnismo, mutações genéticas em seus filhos”, disse.

 

Um projeto chamado PREEL (Pólo de Reciclagem de Eletroeletrônicos) criado pela UNESP em Guaratinguetá existe desde setembro de 2010.  Inicialmente ele foi implantado visando destinar corretamente o lixo tecnológico atendendo os padrões de sustentabilidade e cidadania.

 Segundo Marcelo Wendling, professor e responsável pelo projeto, ele possui três objetivos principais: restaurar e reutilizar os equipamentos eletroeletrônicos que podem ser reutilizados; descartar corretamente os que não podem; e conscientizar a comunidade da importância do descarte adequado desses equipamentos.

O PREEL recolhe computadores foras de uso dentro da própria unidade da faculdade que são destinados para a seleção, onde é feita a triagem do que ainda pode ser reutilizado. Das peças em boas condições de uso, são feitas outras máquinas que são doadas para instituições de caridade que colabora para a inclusão digital. O que não é reutilizado é enviado para empresas de reciclagem.

 “Acreditamos que manter equipamentos em boas condições de funcionamento evita o consumo e a geração de resíduos desnecessários. E os eletroeletrônicos ainda funcionando também podem ser doados para pessoas ou entidades carentes, ou ainda locais em que se aproveite parte das peças com o objetivo de concertar outros aparelhos com defeito. É preciso ter em mente que muitas pessoas podem precisar daquilo que para nós é considerado obsoleto”, disse.

Cuidados

Regiões, como grande ABC, com grandes indústrias e comércio que utilizam, produzem e vendem produtos eletrônicos devem ter um cuidado especial com os resíduos e também podem aproveitar os benefícios da reciclagem correta desse tipo de material.

A região (do ABC) deve olhar com mais atenção para essa questão, pois poderia se tornar um pólo de referência nacional (e porque não internacional) na reciclagem desse tipo de resíduo. Isso porque quando bem administrado o descarte correto, o lixo eletrônico pode gerar renda e muito trabalho, dando oportunidade para muitas pessoas”, comentou o gerente da ‘Idéia Verde’.

Segundo Monteiro, as prefeituras têm um papel importante para melhorar o cenário do lixo eletrônico. Elas devem capacitar as cooperativas já existentes para lidar com esse tipo de resíduos e arcar com os custos de descarte dos materiais que precisam passar por processos de descontaminação, além de conscientizar a população sobre a importância da reciclagem.

“Também exigir das empresas que elas dêem um destino adequado para seus resíduos, pagando pelo descarte quando necessário. Afinal de contas, não foram elas que produziram um determinado material, equipamento ou parte de equipamento? Porque não podem dar pelo menos um caminho para esse resíduo e arcar com o custo de seu descarte correto? Isso é algo que a população também deve cobrar”, completou.

De acordo com a técnica ambiental Joyce Françoso, existe também uma legislação (PNRS 12.305) aplicável ao destino incorreto dos resíduos sólidos, que tange fabricantes, comercio e consumidor final, com a possibilidade de multa administrativa de até R$ 50 milhões e pena de detenção de até quatro anos dos representantes da empresa, caso ocorra crime ambiental.

Em Santo André, oSemasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) coleta aproximadamente 18 mil toneladas de resíduos úmidos (orgânicos) e cerca de 600 toneladas de resíduos secos (recicláveis) na cidade.

Também são disponibilizadas 15 Estações de Coleta onde há locais adequados para o descarte correto de diversos resíduos, como: pilhas e baterias; lâmpadas fluorescentes e isopor. O munícipe pode descartar resíduos com o volume de até 1 m³ e é ele quem deve levar os resíduos até estes locais.

Internet

Para descobrir o local mais próximo de casa ou do trabalho onde o lixo eletrônico pode ser descartado, há uma ferramenta online que ajuda nessa busca.  O site E-LIXO MAPS (www.e-lixo.org), que é uma iniciativa do Instituto Sergio Motta em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, que disponibiliza o acesso a um banco de dados com postos que coletam e/ou reciclam esse tipo de resíduos.

Para usar é fácil, na página basta inserir o endereço completo e o tipo de e-lixo que precisa ser descartado, diversas opções de postos de coletas cadastrados próximos ao endereço pesquisado vão ser sugeridas.

 

Serviço:
Assistência Autorizada Philips:
HDTV SERVIÇO TECNICO
Rua: Manoel Coelho, 925
S. Antonio- São Caetano do Sul/SP
CEP: 09510-112
Tel: 11 42275339 / 3565-4748
HDTV@uol.com.br

Site para outros endereços: https://www.sustentabilidade.philips.com.br/responsabilidade-ambiental/pilhas-e-baterias.htm

Museu do Computador: www.museudocomputador.com.br