Especialista argentino elogia rede de UPAs e hospitais em São Bernardo

Daniel Dellaferrera, que já trabalhou como consultor em vários países, deu palestra para os profissionais de saúde da cidade

São Bernardo vem dando passos importantes no sentido de melhorar o atendimento na rede de urgência e emergência. A construção das nove Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e a reorganização da atenção hospitalar são dois grandes méritos da saúde municipal nos últimos anos. A opinião é do especialista em gestão de Saúde Daniel Dellaferrera, da Argentina. Ele percorre vários países dando consultoria sobre as boas práticas do setor e esteve nesta quinta-feira (24) no Hospital de Clínicas Municipal, onde deu palestra para profissionais da rede.

Dellaferrera afirma que a superlotação dos serviços de urgência e emergência é um problema “sistêmico”, observado no mundo todo. E que a descentralização do atendimento é fundamental para garantir o cuidado e fazer com que os hospitais se dediquem à sua verdadeira vocação, a atenção de alta complexidade. “Hoje o maior desafio nas grandes cidades é desafogar seus pronto-socorros. É preciso criar locais alternativos, que possam absorver essa demanda”, explica.

O especialista, que há mais de uma década pesquisa as melhores estratégias de promoção do cuidado em saúde, defende que é preciso educar os pacientes e acabar com a cultura de recorrer a esse tipo de serviço mesmo quando não se trata de um caso urgente. “A maioria dos pacientes confunde complexidade com qualidade de atendimento. Ele tende a pensar que, se for ao hospital, que é um edifício alto, de muitos andares e que dispõe de aparato tecnológico, será melhor atendido. Mas muitos casos poderiam ser resolvidos na atenção primária, de maneira mais rápida”, afirma.

Um levantamento feito junto às UPAs mostra que 65% dos usuários que procuram a unidade são classificados pelo Protocolo de Manchester como pouco urgentes. Realidade semelhante é observada no Hospital e Pronto-Socorro Central (HPSC). Juntos, o hospital e as nove UPAs atendem, em média, 4.000 pessoas por dia. “A presença maciça de usuários sem gravidade nos locais destinados à urgência e emergência saturam esses serviços de saúde em diversos países. Por isso, o tempo de espera é tão elevado. Daí a necessidade de reverter esse comportamento e adotar critérios para garantir que os pacientes realmente graves tenham prioridade no atendimento”, comenta.

Para Delaferrera, o fato de os quatro hospitais públicos da cidade estarem organizados em um complexo é uma “vantagem enorme”. “Nessa perspectiva de rede, é possível direcionar o paciente ao lugar mais apropriado de cuidado. Um dá suporte ao outro quando se trata de redistribuir a demanda, minimizando o problema de superlotação e garantindo o atendimento”, avalia.

O Complexo Hospitalar de São Bernardo do Campo (CHMSBC) foi criado em 2009, então com três unidades, além do Programa de Internação Domiciliar (PID): Hospital Municipal Universitário (HMU), Hospital Anchieta (HA) e Hospital e Pronto-Socorro Central (HPSC). A gestão é feita em parceria com a Fundação do ABC. Em 2013, a inauguração do Hospital de Clínicas Municipal (HC) possibilitou que cada hospital redefinisse seu perfil de cuidado.

“É um processo recente, mas indiscutivelmente São Bernardo está no caminho certo. A reorganização do sistema de saúde leva tempo, mas os resultados que podemos observar são animadores por aqui”, garante Delaferrera.