Dados pessoais como chave do Pix é seguro? Saiba como evitar golpes

Sendo mais uma opção para movimentações, o serviço ganha popularidade pela rapidez e gratuidade nas operações bancárias

O Sistema de Pagamento Instantâneo, conhecido como Pix, foi desenvolvido pelo Banco Central e está em operação desde novembro do ano passado. A tecnologia permite a realização de operações financeiras, como transferências e pagamentos, de forma rápida, pelo aplicativo do banco ou internet banking todos os dias da semana, sem restrições de horário.

O sucesso da plataforma se deu pela praticidade nas movimentações bancárias, antes as únicas opções de transferência, por exemplo, eram por meio de Transferência Eletrônica Disponível (TED) ou Documento de Ordem de Crédito (DOC), porém havia restrições no período de movimentação, tanto de horário quando nos dias de semana, só era permitido em dias úteis e horário comercial em transações para bancos distintos, além de cobrar taxa que pode variar de R$ 9,40 se for via internet até R$ 19,10 para transferência presencial, dependendo da instituição financeira.

Para poder utilizar o Pix, no aplicativo ou internet banking é necessário que o cliente faça um cadastro de “Chave Pix”, que pode ser utilizado para identificação CPF, e-mail, número de celular e, em caso de pessoas jurídicas, tem a opção do CNPJ. As operações são realizadas de forma imediata e não gera nenhum custo para o beneficiário.

A professora Adriana de Souza, 51, de Diadema, utiliza o sistema desde quando foi disponibilizado pelo BC. “Eu uso por conta das taxas bancárias que não são cobradas e a agilidade para o dinheiro cair na conta, as transferências de pagamento são realizadas de forma muito eficaz e rápida”. Adriana é bastante receosa para fazer qualquer movimentação via Pix, já recebeu contatos pedindo confirmação de seus dados que utiliza na plataforma, mas ignorou por imaginar ser golpe.

Mesmo sem receios no momento de efetuar transações bancárias, Adriana é bastante cuidadosa. “Não tenho problema nenhum com insegurança ou desconfiança, mas sou super cuidadosa no momento de incluir as chaves e confirmar os dados antes de finalizar a operação, sempre leio tudo o que estou fazendo”, finaliza.

A estudante de jornalismo Jady Libarino, 21, de São Bernardo do Campo, utiliza o Pix há pouco tempo e enxerga o serviço como algo vantajoso. “Passei a usar em março quando fui contratada no estágio e passei a ter conta bancária, ele é bastante prático e oferece o imediatismo nas transações, então acredito que veio para ajudar as pessoas que já estão acostumadas com a instantaneidade que a internet oferece”, diz.

Jady utiliza mais o serviço para fazer transferências, geralmente para pessoas que já tem o convívio, como pessoas de sua família e de setores de serviço que já está acostumada a frequentar, como para sua cabeleireira. Mesmo que sejam pessoas de sua confiança, sempre pede para confirmar o nome da instituição financeira e o nome completo para efetuar a operação na conta correta.

Como tinha bastante confiança no Pix, apesar de todos os cuidados que sempre teve, Jady conta que recentemente seu pai sofreu um golpe. “O amigo do meu pai foi assaltado, levaram tudo, inclusive o celular dele que não tinha senha, como tinha acesso às redes sociais dele, mandaram uma mensagem ao meu pai, através do Facebook desse amigo, pedindo R$ 50 emprestado, que realizou de forma imediata”, relata. Segundo Jady, momentos após essa primeira transição, a mesma pessoa pediu uma outra quantia de valor, R$ 500 só que seu pai não tinha e foi questioná-lo o motivo de estar pedindo dinheiro, que negou em sequência que havia feito a solicitação, foi quando percebeu que era golpe. “Eu passei a ter receio por isso, como eu sempre utilizo o serviço, além de pedir a chave do Pix, eu confirmo o nome completo e o banco para efetuar a transferência na conta correta”, finaliza.

Cuidado com golpes

Apesar de ser um novo serviço ofertado pelo BC, os golpes são comuns e geralmente são os mesmos quando envolvem outros tipos de transação. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) existem quatro formas de rombos mais comuns: clonagem e falsa conta no WhatsApp, falso funcionário bancário que entra em contato via telefone e “bug” no Pix, quando recebe alguma mensagem que alerta que ocorreu algum problema no sistema.

O analista programador Thiago Cipriano Queiroz dá dicas para prevenir golpes. “O melhor cuidado é você não vincular seus dados pessoais com as chaves Pix, mesmo que seja mais fácil ter o CPF cadastrado, o mais correto é cadastrar uma chave aleatória com letras e números”, destaca.  Para ele, esse tipo de informação é consideravelmente sensível, o melhor é sempre procurar chaves que haja exposição mesmo que dê um pouco mais de trabalho.

“A segurança do Pix é a mesma de um TED ou DOC, toda questão de autenticação e validação são realizadas pelo Banco Central”, observa o especialista, Segundo ele, todas as movimentações são criptografadas, caso ocorra algum desvio de dinheiro ou algo do tipo é possível identificar. Além disso, os bancos tem total responsabilidade nessa questão de segurança, mas reitera que o grande vilão desse serviço hoje são fraudes cometidas por pessoas.

Procurando aprimorar o serviço, o Banco Central está fazendo uma consulta pública para novas utilidades do Pix, além de transferências e pagamentos, estuda disponibilizar o saque e o troco associado a alguma compra. A pesquisa ficará disponível até o dia 7 de junho para maiores informações acesse https://www.bcb.gov.br/

*Esta reportagem foi produzida por estagiários do Curso de Jornalismo Presencial da Universidade Metodista de São Paulo