Anvisa libera vacina da Pfizer para crianças a partir de 5 anos

Apesar de autorização, grupo não será imunizado imediatamente. Ministério da Saúde não comprou doses para a faixa etária

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) anunciou nesta quinta-feira (16) a liberação da aplicação da vacina da Pfizer contra a covid-19 em crianças a partir de 5 anos. Até então, apenas crianças a partir dos 12 anos podiam receber o imunizante.

Apesar do anúncio, o Ministério da Saúde não tem previsão para começar a imunização, já que não solicitou a compra das doses específicas para crianças — o imunizante da Pfizer para o grupo de até 11 anos tem composição diferente do que é usado em adultos. Existe um contrato do governo federal com a Pfizer para o fornecimento de 100 milhões de doses em 2022, com a possibilidade de incluir as feitas para os mais novos, se o Ministério da Saúde fizer esse pedido.

A expectativa é que 70 milhões de crianças recebam a vacina. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, gestores do ministério, com informações de bastidores, acreditam que as doses vão começar a chegar em janeiro. A pasta havia dito que só pediria a entrega de imunizantes para crianças depois da manifestação da Anvisa — embora desde janeiro de 2021 uma medida provisória (transformada em lei em março) permita a compra de doses antes do aval da agência.

Existe o temor de que os posicionamentos negacionistas de Jair Bolsonaro gerem resistência na campanha de vacinação infantil. O presidente tem reiteradamente levantado dúvidas sobre a segurança e eficácia das vacinas, sobretudo nos mais jovens. “No meu entender, isso é uma irresponsabilidade”, disse ele em setembro. “Por que esse interesse em vacinar a garotada?” Segundo informações de bastidores do colunista Josias de Souza, do UOL, nesta quinta-feira (16) Bolsonaro se enfureceu ao receber a notícia da aprovação da Anvisa.

Ensaios clínicos de vacinas com crianças têm demonstrado que os benefícios da imunização contra a covid-19 nesse público superam os riscos de eventuais efeitos adversos, o que tem levado países a decidir pela imunização dessa faixa etária. União Europeia, Estados Unidos, Canadá, Israel, China, Arábia Saudita, Chile e Colômbia estão entre os que autorizaram a vacinação pediátrica – em alguns casos a partir dos 3 anos. Diante da desigualdade na distribuição de vacinas pelo mundo, no entanto, a OMS (Organização Mundial da Saúde) ressalva que os adultos são o grupo prioritário, e crianças e adolescentes enfrentam riscos menores em relação à covid-19.