Regional

09/10/2018 09:02 Fonte Dgabc

4 de cada 10 eleitores rejeitaram voto ao governo de S.Paulo

Pouco mais de 803 mil pessoas se abstiveram ou votaram nulo e branco domingo na corrida ao Estado

Dos quase 2,1 milhões de eleitores das sete cidades aptos a voto, 38,34% rejeitaram a eleição ao governo de São Paulo, disputa que apresentava 12 candidatos no páreo. O índice representa que quatro em cada dez eleitores ficaram fora das urnas, o que em números representa que 803,3 mil pessoas se abstiveram ou votaram nulo e branco no domingo na corrida ao Estado. Esse percentual é superior ao registrado no Grande ABC no pleito de 2014, quando 33,26% dos cidadãos decidiram pelo ‘não’ aos concorrentes ou sequer computaram sufrágio nos quadros da concorrência.

O número supera a votação do ex-prefeito da Capital João Doria (PSDB) e do atual governador e candidato à reeleição, Márcio França (PSB), juntos, na região, que alcançaram apoio para chegar ao segundo turno do pleito. Os sufrágios de ambos, somados, atingem 596,3 mil adesões. Mais da metade se absteve da eleição à sucessão do Palácio dos Bandeirantes. Foram 422.010 pessoas (20,14%, confira arte acima) que não foram votar para escolher um dos candidatos, enquanto que 104.716 (4,99%) votaram em branco e 276.613 (13,20%) anularam o direito a voto.

A quantidade mais expressiva de votos nulos, proporcionalmente, aconteceu em Mauá, onde 53.281 (21,66%) eleitores anularam o sufrágio, seguida por Rio Grande da Serra e Diadema. O maior percentual de abstenções se deu em Santo André, com 21,25% (121.752 pessoas) não comparecendo às urnas. Na sequência, aparecem Ribeirão Pires (21,16%) e Rio Grande (20,90%). O top no ranking de votos brancos ficou com Rio Grande, com quase 9% – foram 2.476 cidadãos, tendo Diadema (7,90%) e Mauá (7,86%) logo depois na lista.

O percentual de abstenções ou votos brancos e nulos para presidente, por outro lado, foi um pouco baixo, com 28,28% dos eleitores (592.578) do Grande ABC. O número contabilizado também fechou acima da última eleição ao Planalto, embora bem próximo ao índice na ocasião: 27,16%. Do total, 46.980 (2,24%) pessoas votaram em branco e 123.588 (5,89%) anularam o voto. O índice de maior voto nulo para a sucessão de Michel Temer (MDB) também ficou em Mauá, com 9,88% (24.296 pessoas).

Cientista político da Universidade Mackenzie, o professor Rodrigo Prando considera que o número elevado de abstenções ou votos branco e nulos se deve, entre outros fatores, ao período conturbado de radicalização do processo eleitoral, além da descrença com a classe política. “A eleição tem sido muito mais por medo, rejeição do que qualidade, trajetória do candidato. O pleito tem se caracterizado por ódio, com voto no partido ‘A’ para tirar o ‘B’ ou em ‘B’ para acabar com o ‘A’. O clima é de alta rejeição à política, por isso muitos optam por anular ou sequer comparecem, tendo em vista a descrença de que a política seja capaz de mudar a vida das pessoas.”

O especialista enxerga como difícil a chance de reverter essa curva em curto prazo. Segundo Prando, há certa crise de modelo, levado, principalmente, pelo elemento de corrupção, sobretudo a partir da Operação Lava Jato. “Existe aprofundamento de desgosto, descrença, visão de antipolítica, antissistema”, disse, ao acrescentar que, em síntese, a mudança seria de cima para baixo, a partir da redução de “ódio e mais propostas nas campanhas, sem política apequenada”.


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