Regional

21/05/2018 16:38

Carros usados japoneses servem para iniciar operação da Uber na África

Veículos exportados pela ilha chegaram em fevereiro à Tanzânia, onde a propriedade de automóveis ainda se restringe aos mais ricos

A negociante japonesa de carros usados Idom firmou uma parceria com a operação da Uber na África mirando motoristas dos países da região que trabalham para a empresa estadunidense de transporte particular de passageiros.

A presença da Uber na África é recente: em fevereiro, começou a operar estavelmente na Tanzânia, onde a direção é igual à japonesa - com o volante do lado direito. A Idom chegou junto com a empresa estadunidense ao país. Somente motoristas registrados na Uber podem participar do leilão online de veículos que a companhia organiza semanalmente.

A Idom, empresa por trás da cadeia da Gulliver, no Japão, seleciona carros entre um estoque de 10 mil unidades para exportação localizadas na ilha nipônica, mas pretende manter algumas dezenas de automóveis já nos países em que revende, como o caso da Tanzânia, para que os compradores possam inspecioná-los antes da compra.

Os carros japoneses chegam à África com menos de 10 anos de uso e 100 mil quilômetros rodados e os preços costumam ficar na média de US$ 4,7 mil (R$ 16 mil).

O carro próprio é um bem limitado às pessoas mais ricas na Tanzânia e, durante as trocas, muitos veículos são emprestados a motoristas particulares das principais cidades. Como empréstimos financeiros não são comuns no mercado, a Idom passou a tentar forçar os bancos locais para prover dois ou três anos de financiamentos aos interessados nos veículos usados.

A expectativa da empresa japonesa é expandir seus negócios para outros dez países africanos nos próximos três anos, atingindo cerca de 50 bilhões de ienes (R$ 1,58 bi) em vendas anuais.

Modelos usados japoneses são veículos são preferidos dos importadores africanos pelas suas condições e durabilidade. Cerca de 240 mil carros usados foram exportados do Japão para as nações do continente no ano passado, segundo o Ministério da Fazenda japonês. É mais do que dobro das vendas de uma década atrás, o que torna a África uma presença global de 20% no negócio. Como os dados não levam em conta veículos que custam menos de 200 mil ienes (R$ 6,3 mil), o número de vendas deve ser ainda maior.

As importações de veículos usados para a África geralmente envolvem negócios fechados em leilões operados pelas empresas japonesas. A venda diretamente por meio da Uber permitirá a companhias como a Idom manter os preços baixos e se posicionar como uma vendedora confiável. Ela já opera no mercado dos Estados Unidos oferecendo veículos usados japoneses, mas com outras empresas. A Tanzânia será o primeiro país em que as vendas serão exclusivamente operadas por meio do Japão.

Os negócios de carros usados japoneses também começaram a crescer em países do Oriente Médio e, recentemente, Dubai recebeu a primeira sede de uma negociadora de veículos do Japão. Os preços dos veículos vão variar de US$ 1 mil (R$ 3,5 mil) a US$ 80 mil (R$ 264 mil).

No Paquistão, ao contrário, os negócios com carros usados geraram uma crise política quando o governo decidiu impor restrições à importação de veículos, aumentando os custos envolvidos na transação. Com os protestos de empresários locais, que alegaram que a medida prejudicaria o negócio e, como consequência, a economia paquistanesa, o Estado aceitou retornar às regras anteriores. A Auction House Japan, uma das principais companhias do setor, chegou a parabenizar o governo paquistanês pela iniciativa.

Alguns dos veículos são transportados em containers aos destinos via Taiwan, na China, embora alguns façam a viagem de barco diretamente aos mercados exteriores dos compradores.

O Sri Lanka é o principal comprador de carros usados japoneses, seguido pelo Quênia. O país africano adquiriu 4,8 mil unidades do Japão em 2016, o que fez com que uma das grandes negociadoras de veículos usados nipônicas abrisse um escritório na capital, Nairobi, em fevereiro deste ano.

"O Japão está a seis horas à frente do Quênia e quando nossos clientes vão comprar um carro via internet, são forçados a postar a oferta e esperar o dia seguinte para ter uma resposta. Com o escritório aqui, nós podemos oferecer facilidades para esses compradores quenianos", afirmou o porta-voz da companhia, Hameed Ramzan, ao jornal queniano Business Africa.

O sucesso do negócio, no entanto, já não se restringe à ilha: a Carsome, uma plataforma online malaia de leilão de carros usados anunciou no final de abril que cresceu US$ 19 milhões (R$ 65 milhões) por meio de investidores, incluindo a empresa alemã Burda. Ela funciona coletando dados de pessoas que querem vender seus carros, inspecionando-os e colocando-os no mercado por meio de pregões na internet.

A empresa afirma que, embora a venda de carros usados online esteja crescendo no sudeste asiático, seu serviço "end-to-end" (opera do começo ao fim do processo da venda) é mais rápido e conveniente que outras formas de intermediação entre compradores e vendedores.

Estabelecida em 2015, a startup opera na Malásia, na Tailândia, na Indonésia e em Cingapura. Sua principal fonte de receitas é a cobrança de tarifas aos vendedores quando uma venda é completada. "O Sudeste Asiático é um mercado de carros novos, mas isso está começando a mudar", disse Eric Cheng, co-fundador e chefe-executivo da Carsome ao jornal japonês Nikkei Asian Review. "Pessoas que são donas dos seus carros tendem a aumentar e mais veículos precisam estar disponíveis no mercado", finalizou.

 

 


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