Política

24/08/2017 22:08

Santo André: em ato diante da Prefeitura, secretária de Saúde afirma que foi agredida

Com faixas, cartazes e gritando palavras de ordem, funcionários da Prefeitura, secretários municipais, alguns vereadores da base aliada e seus assessores promoveram, no final da tarde desta quinta-feira (24), um ato diante do Paço Municipal de Santo André em desagravo à situação vivenciada pela secretária de Saúde, Ana Paula Peña Dias, durante a manhã, no prédio da Câmara. Ela registrou boletim de ocorrência e alegou ter sido vítima de agressão verbal e física.
 

Ana Paula esteve no Legislativo para responder questionamentos de vereadores sobre o programa QualiSaúde, mas uma confusão teve início pelo fato de o encontro ocorrer no Plenarinho, com alguns vereadores da base aliada e distante da população. O vereador oposicionista Willians Bezerra (PT) também protestou e, em boletim de ocorrência, justificou ter sido barrado por seguranças e impedido de exercer sua função – de questionar a secretária sobre o fechamento de unidades de saúde.

O prefeito Paulo Serra (PSDB) não compareceu ao ato em defesa de Ana Paula. A missão coube ao vice-prefeito, Luiz Zacarias (PTB), e aos superintendentes Leandro Petrin (da Unidade de Planejamento e Assuntos Estratégicos) e Carlos Bianchin (da Unidade de Assuntos Institucionais e Comunitários). Eles criticaram a violência contra a mulher e falaram também em defesa do governo. Os discursos eram repetidos pelos presentes. “Esse é o governo Paulo Serra. Estamos incomodando e isso é bom”, cutucou Bianchin.

Em entrevista, Ana Paula contou que o B.O. foi registrado no 4º Distrito Policial de Santo André, mas não apresentou o documento (a informação é que posteriormente seria enviado pela equipe de Comunicação do Paço). Também não especificou se foi agredida por algum vereador ou por populares, nem soube dizer se o caso foi enquadrado na Lei Maria da Penha. Só deu a entender ter sido agredida pelo simples fato de ser mulher. Pessoas que estiveram no Legislativo pela manhã e foram ouvidas pelo blog não relataram cenas de agressão física, afirmando terem presenciado apenas a gritaria.

“Atitudes como essa de extrema covardia só me fortalecem e fortalecem o governo. Estamos no caminho certo. Uma mulher ser agredida fisicamente e moralmente como eu fui é um completo absurdo. Poderia simplesmente largar tudo isso e voltar para minha vida privada, retomar meu consultório (Ana Paula é médica neurologista) e minha zona de conforto, mas não vou tomar essa atitude em nome desse projeto que acredito, da equipe que formei e das pessoas que me apoiam. Enquanto o prefeito entender que estou fazendo um bom trabalho, não vou desistir. Não é todo mundo que tem que concordar com as nossas ações, mas covardia a gente não vai tolerar”, explicou a secretária, que se emocionou em vários momentos do ato.

À tarde, cogitou-se que o B.O. teria sido feito contra Bezerra e Almir Cicote (PSB), presidente da Câmara, pois em nota a Prefeitura atribuiu a ambos agressões verbais à secretária. Gente do governo ainda garante que ela chegou a ser chutada enquanto saía da Câmara Municipal.

Ana Paula deu a entender ainda que não pretende retornar à Câmara, mas disse que – caso ocorra uma nova convocação – caberá avaliação do governo. “Nesses moldes é impossível que qualquer pessoa do poder Executivo pise naquela Casa”, pontuou. Aos críticos dos projetos da administração, foi sugerido ingressar com reclamações via Conselho Municipal de Saúde (cujos membros têm repudiado publicamente atitudes governistas).

Ao portal G1, Cicote classificou a atitude de Ana Paula como despreparo. “Ela ficou muito nervosa (durante o episódio no Legislativo), descompensada, não estava preparada, talvez, para prestar os esclarecimentos necessários. Mas foi tudo dentro da normalidade, não houve nenhuma agressão física ou verbal contra ela. Pode ser que fora da Câmara tenha ocorrido alguma coisa, mas não é de meu conhecimento. Isso tudo talvez seja pano de fundo para disfarçar a incompetência dela”, rebateu.

Impeachment

Em tempo: também nesta quinta-feira tumultuada em Santo André, chegou à Câmara um pedido de cassação do mandato do prefeito Paulo Serra, que agora terá de ser avaliado pelos vereadores. Os autores são João Vicente Moraes Valdes e Luiz Carlos de Oliveira, ambos comerciantes, que usaram como argumento “a moralidade na saúde andreense”.


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