Policial

09/09/2016 10:25 Fonte : Rudge Ramos On Line

Diadema é a cidade do ABC em que mais se morre por arma de fogo

Segundo dados do Mapa da Violência 2016, o município acumulou 240 mortes em três anos
 

O Mapa da Violência 2016, divulgado no final de agosto, mostra que Diadema é a cidade do ABC que registra o maior número de homicídios causados por arma de fogo. O município ocupa o 691° lugar no ranking nacional. Foram 240 mortes em 3 anos na cidade que tem uma população média de 402.273 habitantes.

Este é o quinto estudo sobre homicídios por arma de fogo no Brasil. O novo levantamento levou em consideração dados coletados entre 2012 e 2014 e foi produzido pelo coordenador da Área de Estudos sobre Violência da FLACSO (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais), Julio Jacobo Waiselfisz.

O responsável pelas áreas de geoprocessamento e análise espacial do projeto de Monitoramento das graves violações de direitos humanos do NEV (Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo), Marcelo Nery, comenta que, do ponto de vista das tendências das regiões metropolitanas de São Paulo essa mortalidade causada por armas de fogo ainda é muito grande apesar da redução que ocorreu na última década.

Ao todo, o ABC contabilizou 726 homicídios por arma de fogo nos 3 anos analisados na pesquisa, o que significa que Diadema é responsável por 33% das mortes na região. Já Rio Grande da Serra foi o município do ABC que registrou o menor número de homicídios no mesmo período: duas mortes.

“É fundamental entender que essas mortes ocorrem em lugares específicos e com características específicas. Não podemos esquecer de fatores como falta de infraestrutura, desemprego, falta de escolaridade, a existência de organizações criminosas e os conflitos com a polícia”, comentou Nery.

Há uma divergência muito grande de números de mortes se compararmos São Caetano com Santo André e São Bernardo. A primeira contabilizou 10 mortes por armas de fogo, enquanto as outras duas tiveram 167 e 121 respectivamente.

O estudo admite uma escassez de dados para construir o perfil das vítimas, mas apontou predominância do sexo masculino(94,4%). Além disso a pesquisa indica que a principal vítima de homicídio no Brasil é o jovem na faixa de 15 a 29 anos. Para Nery, o jovem não é apenas a maior vítima como também é o maior causador dos homicídios. O crescimento da letalidade das armas de fogo foi de 3.159 ( dado de 1980, ano do início da pesquisa) para 25.255 mortes nesta faixa da população.

A principal dificuldade do estudo foi conseguir dados sobre a cor das vítimas, para isso foram coletados dados do SIM/MS (Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde) que indicaram que a população negra é a que mais morre por armas de fogo no país. 

O estudo conclui que as políticas de controle de armas de fogo, que entraram em vigor em 2004, pouparam a vida de 133.987 até 2014. Mesmo havendo um aumento no número de casos deve-se levar em consideração o crescimento populacional para se calcular as estimativas. Apesar das políticas, 2014 bateu recorde no número de homicídios causados por arma de fogo.Segundo Nery, isso significa que as ações governamentais que estão sendo tomadas não estão sendo efetivas.

Nery ainda vê os argumentos sobre o controle de armas de fogo como controversos, já que existem estudos que dizem que a apreensão de armas contribui para a queda dos homicídios e outros que afirmam que a apreensão não está vinculada a uma maior qualidade do serviço policial, mas sim ao estoque de armas. “Quando o estoque aumenta, uma vez que o percentual de apreensões é o mesmo, o número de apreensões também aumenta.”


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