Mulher

27/05/2015 00:19

Como aceitar ser a “outra” e lidar com a eterna esperança de ser a “principal”?

Muitas mulheres aceitam ser a “outra” por acreditarem que com o passar do tempo se tornarão a “principal”. Isto ocorre principalmente pelo fato dos homens sustentarem um discurso de que não vivem bem com suas esposas ou companheiras, que praticamente já estão separados, que são profundamente infelizes e que não agüentam mais viverem assim. Em seguida vem o pedido para que tenham paciência, pois têm filhos no meio da situação e eles não querem prejudicá-los. Continuam declarando apaixonadamente que elas são as mulheres de suas vidas, que sem elas eles não vivem e, que é somente um caso de um pequeno tempo para que tudo se ajeite, pois seu casamento já é uma questão de passado.

Assim, a mulher que já aceitou se relacionar com um homem comprometido, que já se tornou sua amante, começa um longo caminho de espera e de esperança que ele venha a se separar “da esposa” e assuma o relacionamento tornando-a sua principal. O tempo passa, e a situação não muda, pois cada vez que ela lhe cobra a separação, ele vem com uma história que acaba obrigando-a a ser desapegada e continuar sendo a “outra” até os problemas se resolverem.

As desculpas para a não separação são muitas, desde doenças sérias e crônicas em relação à esposa até questões que envolvem chantagens emocionais, ameaças de suicídio, de prejuízos financeiros dentre outras que realmente são bem convincentes, dignas de compaixão, de credibilidade e de paciência para dar mais uma chance e esperar o melhor momento para a separação.

Algumas mulheres são tão apegadas à ilusão que ele vai se separar e assumi-la como esposa, que não percebem que se encontram sendo enganadas e que isto não irá acontecer de fato, pois o que ele quer é ficar com as duas, mantendo a família e sua imagem de bom marido, bom pai e bom amante.

Mas por que as mulheres caem nesta armadilha fatal do relacionamento com homens casados que prometem se separarem? Por que as mulheres aceitam o papel de amante? Por que se colocam na situação de ser “a outra” muitas vezes por uma vida inteira?

Isto tem a ver com a autoimagem, com a autoestima e o não reconhecimento de si mesma, pois a mulher acredita que merece isto e que não vai arranjar nada melhor. É uma grande falta de visão sobre si mesma, e uma questão de autoculpa não consciente que a projeta para uma punição, que no caso é ser a “outra” e nunca chegar a ser a principal.  Na maioria das vezes, por falta de autoconhecimento, a mulher não identifica esta autoculpa que a faz se sentir não merecedora do melhor, porém isto existe em seu inconsciente e age de forma negativa.

Há também os casos das mulheres que aceitam serem “a outra” conscientes de que eles não irão se separar das esposas e que não vão assumir o relacionamento. Nestes casos há uma submissão voluntária da parte da mulher que, embora sonhe em se tornar a principal, aceita e cumpre seu papel de ser a outra de forma resignada, sem cobranças e sem pressão.  

Porém, aceitando ou não o que fica é a eterna esperança de ser a principal e isto não acontecendo vai gerando um sentimento de não satisfação, não realização, de frustração, de solidão e de ser mal amada. E como lidar com isto?

Penso que a mulher que se encontra nesta situação deve ser muito verdadeira consigo mesma e observar suas escolhas no sentido de realmente assumi-las sem fantasias, sem ilusões, com o pé no chão. Deve ser consciente de que se encontra num relacionamento duvidoso e pensar se realmente é isto que quer para si mesma. Considerar que ser “a outra” significa ser sozinha, pois as principais datas e feriados, bem como finais de semanas, possivelmente ele irá estar junto à esposa e os filhos se houverem. Pense bem antes de se apaixonar por um homem comprometido que tanto pode lhe oferecer ilusões, quanto pode ser muito frio e ainda lhe falar que você está com ele porque quer e que não tem o direito de reclamar, visto ele nunca lhe ter prometido nada.

Bem, penso que se envolver com homem casado na maioria das vezes não dá certo, salvo quando realmente ele é verdadeiro quanto ao que fala sobre seu relacionamento ser ruim e, após conhecer uma mulher ele se separa da esposa e assume esta nova mulher como a mulher de sua vida. Acha que isto é um conto de fadas? Não, não é, pois quando realmente dois seres que se amam verdadeiramente se encontram, não há força negativa nem empecilhos que os façam se separar.

Ramy Arany – assistente social, terapeuta comportamental, escritora, coach, consultora, palestrante, autodidata, pesquisadora e desenvolvedora da consciência Especialista na Liderança feminina, no comportamento, em relacionamentos e maternidade. Escritora dos livros Eternamente Ísis – O retorno do feminino ao Sagrado e Visão Gestadora – A visão em teia. Co-fundadora do Instituto KVT e fundadora do KVT Feminino e Sócia Diretora da Inove Soluções em Liderança.

Face: www.facebook.com/kvtfeminino / Site: www.kvtfeminino.com


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