Entretenimento

21/08/2018 03:50

Após anos de restrições, China abre seu mercado de carros usados

Vendedores esperam vender 20 milhões de automóveis de segunda mão até 2020 no maior país do mundo

A imensa aposta da China em veículos movidos por novas energias tem chamado a atenção do mundo, mas um fenômeno mais obscuro também está ocorrendo no maior país do mundo -- e que pode ter consequências contrárias ao ambiente em curto prazo: os chineses agora compram carros usados em vários tipos de leilão.

 

Um ritual familiar em muitos países, comprar automóveis de segunda mão era até pouco tempo uma prática incomum na China. Em muitos mercados, vendas de carros usados chegam a ultrapassar as de novos em grandes margens -- às vezes duas vezes mais.

 

Cerca de 39 milhões de veículos seminovos foram vendidos nos EUA no ano passado, comparado com os 17 milhões de 0 kms, por exemplo. Na China, o contrário sempre prevaleceu: 29 milhões de automóveis novos foram vendidos em 2017 no país asiático contra 12 milhões de usados.

 

Isso acontece graças a algumas particularidades do mercado automotivo chinês: até os anos 2000, a má qualidade de fabricação limitava a vida útil dos carros feitos pelas companhias nacionais, enquanto compradores mais atentos a veículos usados tinham poucas chances de saber a propriedade anterior de um carro ou seu histórico de acidentes. A indústria também eram muito fragmentada e tinha uma reputação ruim.

 

Os governos locais pioraram a situação para o mercado de usados: muitos proibiram a venda deles entre províncias como uma forma de manter os fabricantes e vendedores. O governo central, por sua vez, também fechou vários caminhos para o comércio de automóveis de segunda mão enquanto dava as mãos para as empresas automotivas nacionais.

 

No entanto, esse processo está mudando: muitos carros chineses agora cumprem ou até excedem os padrões internacionais de qualidade e, portanto, são duradouros. O governo começou a diminuir as restrições em vendas de seminovos entre as províncias, enquanto consumidores estão abrindo mão de suas barreiras e reconhecendo que seus veículos já utilizados têm valor.

 

Desde o começo dos anos 2010, de fato, as vendas de carros usados cresceram muito mais rapidamente do que as de novos. Em 2017, o setor de seminovos cresceu 19,3%, enquanto as lojas de o kms tiveram uma expansão de apenas 3,2%.

 

Os analistas prevêem que o comércio de usados pode chegar a 20 milhões de unidades até 2020, o que ainda está longe da taxa de "dois para um" que prevalece nos Estados Unidos. Em outras palavras, a China está pronta para se tornar o maior mercado de carros usados do mundo.

 

As fabricantes do exterior certamente souberam desses dados: a General Motors, por exemplo, implementou certificados em programas de carros usados, enquanto serviços para esse tipo de veículo passaram a proliferar pela Internet.

 

No último ano, a China comprou 1,3 milhão de carros usados por meio de plataformas online, geralmente leilões, que oferecem vantagens em comparação aos preços praticados no país, as opções de pagamento, as inspeções de veículos e ao menos algum nível de transparência sobre o histórico do veículo.

 

O Japão é um dos maiores beneficiados com isso, já que seu mercado de carros usados é o mais valorizado do planeta. Cerca de 240 mil carros usados foram exportados do país para as nações do continente africano no ano passado, segundo o Ministério da Fazenda japonês.

 

É mais do que dobro das vendas de uma década atrás, o que torna a África uma presença global de 20% no negócio. Como os dados não levam em conta veículos que custam menos de 200 mil ienes (R$ 6,3 mil), o número de vendas deve ser ainda maior.

 

Os negócios de carros usados japoneses também começaram a crescer em países do Oriente Médio e, recentemente, Dubai recebeu a primeira sede de uma negociadora de veículos do Japão. Os preços dos veículos vão variar de US$ 1 mil (R$ 3,5 mil) a US$ 80 mil (R$ 264 mil).

 

Os investidores, de qualquer forma, estão excitados: eles colocaram mais de US$ 2,5 bilhões (R$ 9,6 bilhões) no setor no ano passado. Em junho, as plataformas online cresceram cerca de US$ 225 milhões (R$ 870 milhões), como é o caso da Uxin, que anunciou que espera chegar a US$ 500 milhões (R$ 1,9 bilhão) em uma oferta pública inicial ainda no horizonte.

 

O processo é bom para o meio-ambiente -- uma discussão que ganhou força na China nos últimos anos: a fabricação representa até 35% das emissões de carbono ao longo da vida útil de um carro, o que significa que cada comprador que decide comprar um usado ao invés de um novo está ajudando a baixar as taxas de gases despejados na atmosfera.

 

"Em um curto prazo, ao menos, é um grande negócio: apesar da China encorajar os consumidores a migrarem para o elétrico, a demanda por gasolina não vai desaparecer tão breve", disse o consultor econômico Adam Minter em sua coluna no jornal The Wall Street Journal.

 

"Ao menos nos próximos 20 anos, vai existir mais motores de combustão interna nas estradas do que veículos movidos por energias novas. Uma pujante indústria de carros usados é de longe a maneira mais eficiente de reduzir o impacto ambiental", completou.

 


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