Educação

escrita 15/03/2018 11:08 Estuda.com

Professor, incentive seu aluno a escrever!

O incentivo à escrita vem de diversos modos e deve acontecer desde o início do ciclo escolar. Entretanto, não pode parar conforme o tempo passa. Trazemos informações relevantes sobre o porquê o incentivo da escrita se faz tão importante no desenvolvimento intelectual dos alunos. Leia!

Neste artigo, veremos como o hábito de escrever pode melhorar o desenvolvimento de suas aulas e de seus alunos, assim como influenciar diretamente no desempenho cognitivo deles. Para isso, passaremos por alguns tópicos que falam um pouco de alguns desafios que o professor terá de passar ao propor tal tarefa. Isso porque os exercícios que envolvem a atividade da escrita, que exigem esforço mental, muitas vezes acabam por ter muita resistência por parte dos alunos. Sendo assim, separamos algumas dicas de como explorar essa atividade de uma forma que seus alunos possam começar a ter autonomia sobre o próprio conhecimento e desenvoltura escolar. Ainda que não seja professor de Língua Portuguesa, esse recurso vai ajudar bastante no crescimento em sala de aula.

Por que escrevemos?

Desde que foi inventada, há mais três mil anos atrás, a escrita tem sido a base organizadora de todo nosso sistema. Independente de que suporte ela esteja inserida, é essencial para que retenhamos ou compartilhamos conhecimento e informação. Portanto, se o estudante se sente estimulado a escrever, sua curiosidade e entendimento sobre o assunto irão certamente ser mais solidificados. Diante disso, o professor ganha a oportunidade de poder acompanhar o desempenho de seus alunos por meio da escrita individual. Apesar de poder parecer chato inicialmente, com o tempo, até que os aprendizes se habituem, esses podem começar a perceber a importância de se escrever, isto é, de organizar seu pensamento - um pouco abstrato - diretamente para o papel. A atividade de escrever acaba levando o estudante a coordenar suas ideias de maneira mais lógica, mais crítica e, consequentemente, abre mais espaço para novas concepções que se seguem. É como se pudéssemos guardar memórias escritas num papelzinho para não sobrecarregar as lembranças, e se quiséssemos relembrar, poderíamos revisitá-las, analisá-las e até mesmo reorganizá-las, desde que estejam registradas. Assim também, como escreveu Ignácio de Loyola Brandão na capa de sua coletânea lançada em 2016, “escrevemos para combater a solidão e tentar compreender a vida”.

Por que não escrevemos?

Uma pesquisa feita nas disciplinas de Ciências Humanas nas Universidades da Argentina, em 2009, pela pesquisadora Paula Circino, mostrou que a grande dificuldade dos alunos por parte da escrita é que na maioria das vezes os professores pedem apenas para que sejam redigidos textos sobre a disciplina ofertada. Contudo, não há nenhum foco no desempenho retórico desses alunos, ou seja, mesmo sendo sujeitos ativos textualmente sobre o assunto, o conhecimento reduzido sobre técnicas que valorizam a escrita limitava o desenvolvimento escolar dos alunos. Por conta disso, suas situações como escritores mostravam pouco avanço, e normalmente os alunos se sentiam desmotivados a escrever.

Nesta pesquisa foi possível observar que a capacidade de escrita também depende do contexto no qual os alunos são inseridos. Universidades norte-americanas, por exemplo, oferecem inúmeros núcleos de pesquisa especializados no ensino de redação. Além disso, também foi possível comparar a grande diferença entre a formação acadêmica oferecida por países da Europa/Estados Unidos e os países da América Latina, decorrente dos distintos processos históricos aos quais as respectivas nações foram sujeitadas.

Estímulos são partes de sua performance como professor.

Problemas do contexto social, como a desigualdade, não podem ser descartados pelo professor, isso porque cada aluno traz consigo experiências que devemos aprender a lidar para que o ambiente heterogêneo da escola não atrapalhe o desenvolvimento escolar de cada um. O contexto familiar, problemas de saúde, problemas financeiros e problemas de amizades na escola interferem diretamente no rendimento do estudante. O recomendável é que o professor esteja sempre disponível para dar ouvido às vozes dessas problemáticas, assim poderá desenvolver soluções por meio da própria atividade escolar. Conversando diretamente com seus alunos e compreendendo seus hábitos e problemas, você, como educador, pode fazer da busca pelo conhecimento algo muito mais atrativo do que é esperado. É importante que uma corrente de estímulos, baseadas em compreensão, nunca falte.
Uma dica de exercício prático para os professores de Português (e para os de outras disciplinas também): apresente aos estudantes três auto retratos em forma de texto ou poema e três auto retratos de artistas plásticos. Em seguida,  peça para que os alunos que escrevam um texto, pode ser narrativo ou poesia, que fale sobre ele mesmo. Depois, que assine com uma criação artística em papel, que pode ou não seguir um mesmo estilo de criação: por exemplo, a da obra de Picasso “Em uma só linha”, na qual o pintor usa um só traço e cria desenhos em linhas únicas, pode ser proposta como orientação. A atividade é ótima para ampliar os sentidos de criatividade dos discentes, além de estimular o protagonismo deles e o hábito de escrita. É preciso de uma vez por todas desmistificar a ideia de que a escrita é algo distante, ou mesmo colada em um pedestal pela figura do escritor: todos somos capazes de criar por meio do esforço e dedicação que há nos processos da realização da escrita.

Transmita e valorize a confiança em seus alunos.

Na pesquisa, Circino constatou que, em tradução livre “professores das disciplinas tendem a ignorar o desempenho da redação do estudante. Nenhuma das aulas consideravam a leitura e a escrita como ferramentas essenciais para uma apreensão conceitual mais apurada. As expectativas a respeito das aulas não são explícitas, planos de aula escritos ou oralmente transmitidos são raros e o feedback é escasso.”

Desta forma, é indispensável que se entenda a importância de concentrar todos esses fatores (leitura, compreensão e escrita) para uma conduta escolar que valorize interações mais dinâmicas com os alunos, de maneira que suas produções sejam atenciosamente revisadas e suas iniciativas em relação à matéria sejam devidamente reconhecidas.

Por isso, discutir em sala os formatos das aulas, os planos e metodologias que serão usadas, enfim, tudo aquilo que expresse aos alunos a atenção que eles buscam e que demande diálogo, proporcionando discussões mais democráticas e inclusivas, irá, possivelmente, permitir um acordo que viabilize maior harmonia entre a rotina dos estudantes e o seu desenvolvimento da disciplina. O fato de sugerir produções textuais pode acabar sendo um processo mais pacífico e consensual, quando necessário, sendo construtivo para todos. Outra coisa importante é dar o feedback sobre os trabalhos realizados, não necessariamente em nota, mas em discussões sobre tópicos frasais, sintaxe e pragmática do uso de certos termos, seus porquês, os recursos que foram usados, quais ainda devem ser, etc. Vamos falar disso no próximo tópico.

Dê bons feedbacks, sugira reestruturação!

Ainda conforme constatado na pesquisa de Circino, é notória a necessidade da aplicação do feedback, sendo este um ótimo recurso para demonstrar sua atenção com o desempenho do aluno. Caso você não seja professor de Língua Portuguesa, promova diálogo com seus colegas de serviço, peça dicas de correção, mostre alguns dos rascunhos de seus alunos, sobretudo, aproveite a situação para diálogos interdisciplinares.

Depois disso, converse com cada aluno. Em caso de problemas na compreensão dos conteúdos, pergunte o que ele realmente aprendeu com a matéria e o que ele quis dizer com suas palavras. Sugira que refaça a redação e se disponibilize para eventuais dúvidas.

Numa de suas publicações, Charles Barzerman, Ph.D. em literatura pela Brandeis University e professor do Departamento de Educação da Universidade da Califórnia, Santa Bárbara, ao comentar sobre os processos envolvidos na produção textual, afirmou que:

No processo de entrar na atividade mental localizada, de agregar as palavras que achamos mais apropriadas a nossa situação, papel e tarefa, somos absorvidos dentro do papel e da situação como um ator fica absorvido por um papel numa peça. (BAZERMAN, 2009, pg. 52)

Assim, devemos considerar cada aluno como portador ativo de um intelecto capaz das diversas possibilidades de interação com o meio. A escrita é um instrumento fundamental nesse processo, além de possibilitar compreender como cada um desses indivíduos assimilam suas experiências com sua disciplina, e em como isso influencia em sua relação com o mundo. Portanto, use isso a favor de todos. A escrita é uma forte ferramenta, dada sua autonomia para despertar o protagonista, ser pensante e independente intelectual, que há dentro de cada aluno.


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