Economia

02/08/2017 07:53 Jornal Rudge Ramos

Consumidores cortam gastos para sanar dívidas

Economia é feita a partir da diminuição do consumo em viagens e lazer
 
 

Em meio à crise econômica que está presente no Brasil há mais de três anos, muitos brasileiros ainda sofrem na hora de encontrar alternativas para economizar.  Segundo pesquisa divulgada pelo Serviço de Proteção ao Crédito, em 2017, 80% dos brasileiros ouvidos cortaram gastos no primeiro semestre do ano. A medida é considerada importante para aqueles que querem economizar e ter o controle financeiro.

A estudante de comércio exterior Fernanda Lima, 20, gastava R$ 100 em saídas todo fim de semana. Fernanda só percebeu o excesso nos gastos quando o salário foi insuficiente para pagar a fatura do cartão de crédito. Ela teve que repassar parte da dívida para o mês seguinte. “Eu parei para pensar que existe o dia de amanhã, até porque eu não tenho filhos e nem casa para sustentar. Então, se eu não aproveitar a oportunidade de guardar dinheiro agora, quando eu começar a ter essas responsabilidades não vou conquistar nada. Preciso aproveitar que agora é o momento para isso”, disse.

A alternativa adotada pela estudante foi evitar, ao máximo, o uso de cartões de crédito. “É um dinheiro que você não tem. Eu passava tudo no cartão de crédito, principalmente gastos com comidas. Chegava o dia do pagamento e eu tinha que pagar algo que fiz a um mês atrás. A gente precisa se adaptar a esse tipo de economia porque está tudo muito caro e nosso salário não supre nossas vontades.”

Para o economista e professor da Universidade Metodista de São Paulo Marco Aurélio Bernardes, o cartão de crédito não pode ser associado à palavra endividamento. Isso porque, para Bernardes, o problema é a sensação que o cartão passa ao portador de que é possível saciar todos os desejos no momento em que quiser. “O cartão de crédito sem planejamento de uso é um gatilho poderoso para o aumento da dívida”, afirmou. Bernardes recomenda pagar o que for possível à vista e explica que isso é uma questão de reeducação. “Não se deve gastar exatamente o que se ganha.”

Segundo Bernardes, é orientado que uma pessoa gaste aproximadamente 70% do que ganha como renda líquida. Ele aconselha que o indivíduo se enxergue como um projeto em início de atividade. “A expectativa de vida aumentou, em média o brasileiro vive 70 anos. Então, invista na formação (cursos, faculdade e intercâmbio), prefira os carros seminovos e comprem roupas e sapatos nos períodos de promoção.”  

A analista de suporte Mariane Menezes, 23, também vivia a realidade do excesso de gastos. “Todo final de semana eu gastava mais de R$ 250, e só percebi que estava gastando muito quando comecei a tirar dinheiro da poupança, tudo para poder sair”, disse. Mariane também abusava dos gastos no cartão de crédito. Em um dia chegou a gastar R$ 500 com roupas. “Eu adotei medidas para cortar gastos depois que vi roupas no meu armário que comprei e nunca usei. As dívidas começaram a aumentar. Agora só compro se tiver o dinheiro na mão.”

As dívidas podem surgir devido a circunstâncias adversas (desemprego, queda de renda e gastos inesperados em função de doença na família); descontrole, quando gasta-se mais do que se ganha; e dificuldade em estabelecer o que é necessário e o que é essencial em cada fase da vida. “Indivíduos e famílias não planejam os gastos, então há confusão entre o que é necessário e o que é essencial. Esse dilema faz com que as pessoas tenham a sensação de que não conseguem priorizar ou hierarquizar o consumo”, explica Bernardes.

A enfermeira Ana Cristina Pereira Meca, 32, chegou a gastar tanto com o cartão de crédito que acumulou dívidas e teve o nome exposto no Serasa. “Sem economizar, eu gastava cerca de R$ 2500 por mês. Eu tinha um consumo excessivo com roupas, mas precisei cortar do meu orçamento. Tive que abrir mão de hobbies que gostava de fazer, como ir ao cinema com frequência, comprar livros e ir aos restaurantes japoneses.”

O corte de gastos também afetou diretamente os hábitos de consumo dentro da casa de Ana. Agora a família opta por alimentos de segunda qualidade. “Só compramos carnes bovinas, de porco e frango quando está em promoção. Se não comemos apenas ovos”, afirma a enfermeira.

Ana também enfrentou problemas por abusar na compra de perfumes, tanto nacionais quanto importados. “Eu gastava muito com perfumes apenas pela sensação de tê-los. Era uma compulsão, não tinha necessidade. Eu cheguei a me tratar mentalmente para reduzir os gastos com isso.”

Para o economista Marcos Aurélio Bernardes, os problemas com excesso de gastos precisam de cuidados para que não comprometam as relações sociais do indivíduo. “O endividamento insistente afasta amizades, compromete relações afetivas e familiares. É uma doença e merece bom tratamento.


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